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IV Domingo da Páscoa – Ano A

Breve comentário

O texto do evangelho de S. João proposto para este domingo, o Domingo do Bom Pastor, apresenta-se como um tijolo encaixado numa parede já construída. Imediatamente antes, em Jo 9,40-41, Jesus falava da cegueira dos fariseus. Logo a seguir ao texto de hoje, em Jo 10,19-21, vemos a conclusão da discussão sobre a cegueira. Assim, as palavras sobre o Bom Pastor ensinam o que fazer para tirar a cegueira dos olhos. Com este encaixe, a «parede» fica mais forte e mais bela.

Jesus serve-se de duas situações comuns no seu tempo: a porta e o pastor. A primeira situação refere-se ao recinto fechado no qual eram guardados vários rebanhos durante a noite, com um dos pastores a vigiar, enquanto os outros dormiam. De manhã, cada pastor ia buscar as suas ovelhas, chamando-as pelo nome; cada rebanho seguia o seu pastor, porque estavam habituadas à sua presença e à sua voz. As ovelhas dos outros pastores ouviam a voz, mas ficavam onde estavam porque não conheciam aquela voz. De vez em quando havia o perigo do assalto. Os ladrões entravam por um buraco feito na parede para roubar as ovelhas. Não entravam pela porta porque estava alguém a vigiar.

Outra situação era o recinto junto de casa para um só rebanho; este recinto era rodeado por muros de pedra e algumas plantas; a «porta» era o próprio pastor que aí se colocava.

Jesus afirma: «Eu sou a Porta», evidentemente com dois sentidos diversos: é a porta através da qual passa o pastor e a porta através da qual passam as ovelhas.

No primeiro caso, Jesus afirma que quem quer ser pastor das ovelhas deve estar em comunhão com ele, de contrário é um salteador. No segundo diz-se que o único verdadeiro acesso à salvação é o próprio Jesus.

É preciso ter em conta que depois deste texto vem o episódio do cego de nascença (c. 11), com o confronto com os guias de Israel que decidiram expulsar da comunidade quem reconhece Jesus como Messias. Estes sacerdotes e fariseus pretendem ser pastores de Israel e expulsam o cego curado. Vê-se claramente que não se interessam com as ovelhas. A estes Jesus chama cegos e guias cegos que estão convencidos que vêm muito bem. Perante isto, Jesus reivindica ser a única porta de acesso à vida, à salvação.

Os verbos unidos ao Bom Pastor fazem-nos perceber qual é a sua missão: «abre», isto é, abriu a passagem para a vida nova fechada pelo pecado e pela morte; «chama» a possuir a sua própria vida; «conduz», isto é, está sempre connosco, alimenta-nos, ama-nos; «caminha à frente, indicando-nos o caminho e mostrando-nos em si mesmo o cumprimento das suas promessas, uma das quais a ressurreição.

A resposta dos féis (ovelhas) apresenta um dinamismo de conversão bastante sublinhado pelos verbos «escutar», «conhecer» e «seguir». Daqui nasce a resposta a um chamamento claro e inequívoco à «vida». Só quem está atento à voz do Pastor, à sua Palavra, pode conhecê-lo, ou seja, fazer uma experiência de comunhão com aquele que nos convida a fazer comunhão com os outros, em atitude de serviço. E convida-nos a segui-lo, na mesma atitude de entrega e serviço a caminho da Vida.

P. Franclim Pacheco

Diocese de Aveiro

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