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Solenidade de Santa Joana Princesa – Homilia

Homilia de 12-5-2020 de Santa Joana Princesa

 

No dia em que celebramos a festa em honra da nossa padroeira, a Princesa Santa Joana, e a Câmara Municipal de Aveiro costuma realçar o valor de algumas personalidades e de alguns dos seus trabalhadores que, com o seu trabalho e com a sua dedicação, fomentam o bem comum dos nossos cidadãos, não posso deixar de refletir o facto de este ano tudo ser diferente e merecer, da nossa parte, uma reflexão sobre o que somos como cidadãos e qual o nosso futuro.

 

  1. Vivemos tempos de mudança

Em primeiro lugar, quero colocar no altar da Eucaristia de hoje o mérito e o esforço de tantos médicos e enfermeiros e de outros trabalhadores sanitários que dão o seu melhor para que esta pandemia seja vencida; as horas de angústia vividas pelos responsáveis dos lares e dos autarcas que gritavam pela ajuda que tardava e que continuam com os idosos sequestrados nos lares, bombardeados com as notícias e as percentagens de mortes dadas pelas televisões, sem o carinho dos familiares, numa contradição que nos deve fazer pensar a todos – “os presos são libertados devido à Covig-19 e os inocentes são presos devido à mesma doença”; o desânimo de tantos, trabalhadores e empresários, que veem passar os dias sem terem a certeza do seu futuro e da sua família; o sofrimento dos familiares dos falecidos cujo último adeus aos seus entes queridos era feito como que às escondidas, longe de amigos e conhecidos; os que faleceram, muitos sem o carinho e a presença dos familiares;

 

  1. Um plano para ressuscitar

No dia de Páscoa, o Papa Francisco, numa meditação a que deu o título “Um plano para ressuscitar”, afirmava: «Se atuarmos como um só povo, unido diante de outras epidemias que nos rodeiam, podemos ganhar um impacto real. Seremos capazes de atuar com responsabilidade diante da fome que sofrem muitos, sabendo que temos alimentos para todos? Continuaremos a olhar para o outro lado com um silêncio cúmplice diante destas guerras fomentadas por desejos de domínio e de poder? Estaremos dispostos a mudar os estilos de vida que mergulham tantos na pobreza, promovendo e animando-nos a levar uma vida mais austera e humana que possibilite uma divisão equitativa dos recursos? Adotaremos, como comunidade internacional, as medidas necessárias para deter a devastação do meio ambiente ou seguiremos negando a evidência? A globalização da indiferença seguirá amenizando e tentando o nosso caminho… Esperemos que nos encontre com os anticorpos necessários da justiça, da caridade e da solidariedade. Não tenhamos medo de viver a alternativa da civilização do amor, que é uma civilização da esperança: contra a angústia e o medo, a tristeza e o desalento, a passividade e o cansaço. A civilização do amor constrói-se no dia-a-dia, de modo permanente. Pressupõe o esforço e o compromisso de todos. Supõe, para isso, uma comprometida comunidade de irmãos» (Papa Francisco, 12-8-2020). É o novo céu e a nova terra, que escutámos no livro do Apocalipse, que nos leva a olhar o futuro que queremos construir.

 

  1. O nosso compromisso

Jesus não só anuncia e propõe o Reino de Deus, como convida ao seguimento. Saber-se chamado pessoalmente por Deus é a experiência chave de toda a vocação e de todo o projeto de vida. Isto é o que verificamos na vida da nossa padroeira Santa Joana.

A situação atual da sociedade e da Igreja obriga-nos a ir às fontes da nossa fé e a tornarmo-nos discípulos e testemunhas do Deus de Jesus Cristo de uma forma mais decidida e radical. O cristianismo irrompeu numa sociedade na qual os pobres eram a maioria e os indigentes careciam de qualquer apoio social. Tendo presente a memória de Jesus, que se mantinha viva nas comunidades cristãs, os primeiros cristãos procuraram que o anúncio do Evangelho fosse acompanhado de um estilo de vida de acordo com a práxis de Jesus.

A centralidade do ágape/amor na vida das comunidades dos discípulos de Jesus deu lugar a formas muito concretas de ajuda social. Estas formas inspiravam-se na forma de atuar de Jesus, que tinha mostrado a solicitude de Deus para com os pobres e os doentes.

Perante as dificuldades com que se debatiam tantas pessoas adquirem sentido pleno as palavras de S. Paulo: «Partilhai com os santos que passam necessidade; aproveitai todas as ocasiões para serdes hospitaleiros». As cinco vezes que os Evangelhos narram a multiplicação dos pães têm muito a ver com este amor aos mais necessitados.

Neste dia, desejo fazer um apelo a toda a Diocese de Aveiro e a tantas pessoas de boa vontade que acreditam na força transformadora do Evangelho de Jesus e na capacidade dos cristãos, que vem da sua fé em Cristo ressuscitado, em ajudar os que mais precisam: vamos reforçar o Fundo de Emergência Social, da Cáritas Diocesana, com as nossas dádivas, para fazermos frente a algumas das necessidades mais urgentes dos que não têm trabalho ou o dinheiro não chega ao fim do mês para pagar as necessidades de uma vida digna.

 

Na vida de Santa Joana Princesa observamos uma procura permanente de sentido para a sua vida, um despojamento de tudo quanto impedisse a sua consagração a Deus, a procura do essencial para a sua existência e ainda a sua preocupação em exercer a virtude da caridade em favor dos pobres e necessitados. Que ela nos abençoe e interceda pela nossa sociedade e pela Igreja aveirense, nestes tempos tão difíceis.

Amen.


 

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