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VI Domingo da Páscoa (Ano A)

Breve comentário

O texto deste Domingo é tirado das palavras que Jesus dirige aos seus discípulos durante a Última Ceia, continuação do texto do passado domingo. Numa primeira parte, Jesus promete o dom do Espírito da Verdade, a que se segue a promessa do seu regresso.

Jesus está para deixar fisicamente os seus; por isso, quer ensinar aos discípulos como devem comportar-se durante a sua ausência. Sublinha que o amor por ele é algo de concreto, que não se esgota nas palavras, mas demonstra-se com os factos, observando os seus mandamentos, guardando e pondo em prática a palavra de Jesus, isto é, imitando o seu exemplo, amando como ele amou.

Este amor tão forte e concreto não é possível à natureza, sendo necessária a intervenção do Espírito de Deus. Por isso, Jesus pedirá ao Pai que dê aos seus amigos o Espírito da Verdade para que esteja sempre com eles. Este Espírito, além de ser o Paráclito, ou seja, o advogado defensor de Cristo no grande processo do mundo contra ele, exerce a função específica de fazer penetrar no coração dos discípulos a verdade, ou seja, a palavra, a revelação de Cristo que é a manifestação do amor de Deus; Ele deve conduzir os cristãos para essa mesma revelação.

Paráclito é entendido por João às vezes de modo genérico, para indicar a acção do Espírito e/ou de Jesus; outras vezes, em sentido específico para falar do Espírito de Deus.

O mundo, a humanidade incrédula, encontra-se na impossibilidade de receber o Espírito da Verdade porque não o percebeu nem reconheceu presente na pessoa de Deus, como não reconheceu o Verbo-Luz, nem a sua linguagem, nem o Pai. Pelo contrário, os discípulos reconheceram o Espírito na pessoa do Mestre; morando em Jesus, apesar de ainda não lhes ter sido dado, Ele permanece junto dos seus amigos e está neles.

O dom de tal Espírito pode ser recebido apenas por quem se abre à fé em Jesus Cristo. Por isso, aqueles que o recusaram e ficaram nas trevas, aqui indicadas com o termo mundo, não pode recebê-lo, nem vê-lo, nem reconhecê-lo. Pelo contrário, os discípulos conhecem o Espírito de Verdade e assim Ele pode permanecer neles e, após a ressurreição de Jesus, estará neles.

Depois de ter prometido o dom do Espírito, Jesus promete aos seus que não os deixará órfãos: «Voltarei a vós!». Com a presença do Espírito no seu coração, eles podem ver Jesus depois da sua partida desta terra, ao contrário do mundo incrédulo que, depois da sua morte na cruz e sepultura, não o verá mais. Trata-se duma visão de fé, possível apenas aos crentes. Eles viverão como Jesus, o Vivente, o Pão da vida, a fonte da vida.

Esta experiência sobrenatural fará perceber, na fé, aos amigos de Jesus a vida de comunhão entre o Pai e o Filho, e deste com os discípulos. Quem escuta os mandamentos de Jesus, isto é, a sua palavra, os faz penetrar no seu coração e observa fielmente, manifesta o amor que tem por Jesus. Este é o verdadeiro discípulo, que será objecto dum amor especial da parte do Pai. Ele, que ama de tal maneira o mundo que entrega o seu Filho unigénito (3,16), nutre um amor de predilecção por Cristo e pelos seus amigos. O amor do Pai pelo Filho vai, naturalmente, ter reflexos no modo como o Filho ama os seus amigos, a ponto de estes serem objecto duma particular manifestação.

 

P. Franclim Pacheco

Diocese de Aveiro


 

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