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DEIXA QUE O ESPÍRITO DA VERDADE VIVA EM TI

DOMINGO VI

DEIXA QUE O ESPÍRITO DA VERDADE VIVA EM TI

Georgino Rocha

Ao longo do tempo pascal, Jesus, como bom pedagogo, prepara os discípulos para a nova etapa que vão viver. O Evangelho deste domingo narra “a conversa”, cheia de confidências, tida antes de partir para o Jardim das Oliveiras e iniciar a Paixão que o levará à morte de crucifixão por ódio dos inimigos e determinação das autoridades. Após a ceia de despedida, fala-se da despedida e da situação em que ficam os discípulos. A hora é grave. O ambiente é carregado e desolador. A sensação de abandono é completa e a tristeza incontida. A saída para o Jardim das Oliveiras está para breve. Escutam-se as últimas palavras que ficam como parte do testamento espiritual do Mestre.

“Eu pedirei ao Pai que vos mande outro Defensor para estar sempre convosco. Ele é o Espírito da verdade…que vós conheceis porque habita convosco e está em vós”. Pedido, promessa, certeza. Jesus refere-se ao Espírito Santo e garante a sua presença activa e companhia amiga que preenchem a sensação do vazio e vencem o temor da orfandade. Ele é o Consolador, o Paráclito, o Advogado. O olhar dos discípulos é reencaminhado para o futuro e o coração alertado para o novo prometido. A partida de Jesus – sua paixão, morte e ressurreição – abre caminho ao Espírito da verdade e, por ele, aos horizontes infinitos do amor de Deus, às realidades definitivas da comunhão da vida plena e feliz. – Jo 14, 15-21

A maravilha deste anúncio manifesta a etapa final do percurso histórico de Jesus e o alcance dos acontecimentos que vão seguir-se. A situação dorida vivida pelos discípulos será transformada em “primavera” de um tempo novo – o do Espírito Santo que fará brotar a alegria da ressurreição em todos os que acreditam e praticam os ensinamentos de Jesus.

E uma linda história de amor se afirma e começa a realizar: dar a vida pelo bem do outro, estar disponível e livre para servir, ser companhia que consola e reconforta, defender os injustiçados e ameaçados, cultivar a esperança nos desanimados, libertar os oprimidos, promover a justiça alicerçada na verdade.

Castillo, autor a que recorro várias vezes, afirma que se compreende a necessidade de um Advogado defensor pois a vida de quem toma a sério o Evangelho será inevitavelmente uma vida que se vê enfrentada com frequentes situações problemáticas já que a «des-ordem» em que vivemos não suporta os critérios de vida, os valores e as pautas de conduta ética que negam os valores que a regem. “Isto, evidentemente, é um repto que assusta. Mas é também uma luz de esperança para o futuro da humanidade. Porque só pessoas de Espírito poderão «dar uma volta» à civilização e à história”.

Esta história está a ser construída: o protagonista real é o Espírito Santo; o agente visível e operativo é o ser humano – homem e mulher – situado no seu meio ambiente e condicionado pelo uso responsável da sua liberdade. Que beleza e responsabilidade!

“Devido ao estado de pandemia provocado pela Covid-19, o município de Vagos não irá proceder à realização das festividades de Nossa senhora de Vagos e do Divino Espírito Santo. O investimento que estaria destinado às festas “está a ser aplicado na aquisição de testes Covid-19 e de equipamentos de proteção, a serem distribuídos posteriormente pelas autoridades, nas áreas da segurança, da saúde pública e do social”, anuncia a autarquia. Anúncio feliz que de uma nefasta ocorrência que sabe aproveitar a oportunidade para fazer o bem à comunidade.

“Esta tomada de posição corresponde, muito responsavelmente, à necessidade de se continuarem a tomar medidas de forte contenção em atos públicos, no sentido de proteger todos e cada um”, explica a edilidade, em nota enviada à imprensa. 10 de Maio de 2020.

“O Espírito da verdade … habita convosco e está em vós”. Garantia de que não somos órfãos, temos família: a humanidade, a comunidade cristã. Não andamos enganados, seguimos a Verdade. Não vegetamos apenas, saboreamos desde já a vida abundante e aspiramos à sua plenitude. Não esgotamos a felicidade num momento, mas – como o sedento que se sacia da fonte de água fresca e confia na reserva para novas necessidades – integramos o momento no tempo e valorizamos a satisfação que nos proporciona. Colaboramos com o Espírito da verdade que nos anima e conduz.


 

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