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Domingo do Pentecostes – Ano A

Breve comentário

Na solenidade de Pentecostes o texto evangélico é ainda tirado do evangelho de S. João e é importante lê-lo em paralelo com o texto de Act 2,1-11 que descreve o dom do Espírito ao grupo dos discípulos. A importância da festa litúrgica e do seu sentido eclesial, além do sentido cristológico, orienta-nos para a compreensão do texto bíblico.

             O cumprimento da Páscoa, cinquenta dias depois, na festa do Pentecostes, que em Israel celebrava o dom da Lei, faz-nos compreender a ligação estreita entre Jesus ressuscitado, o Espírito Santo e a vida da Igreja. De facto, o dom do Espírito parte da Páscoa, é dom do Pai e do Filho e conduz a Igreja para a plenitude do Reino, pois guia, ilumina e sustenta os crentes na missão de anunciar o evangelho, continuando a obra do seu Mestre, o Senhor Jesus. O elo do Amor no seio da vida trinitária, o Espírito divino, torna-se assim o vínculo que une a comunidade crente e torna-a testemunha credível no mundo.

O texto deste domingo é parte do evangelho que escutámos no domingo de Páscoa em que o encontro do Senhor ressuscitado com os seus é acompanhado precisamente do dom do Espírito Santo e da missão; nesta solenidade o acento cai sobre o segundo elemento e sobre o papel do Espírito na vida do cristão, temáticas antecipadas nos textos dos dois últimos deste tempo pascal.

O texto coloca-nos no dia da ressurreição, em Jerusalém; depois da primeira parte do dia, com a descoberta do túmulo vazio, a visita de Pedro e João e das mulheres e o testemunho de Maria Madalena, chegou a tarde. O lugar não é especificado, o evangelista quer atrair a atenção para o carácter eclesial do acontecimento. Recordemos que para João ressurreição e dom do Espírito são um só acontecimento e, por isso, colocados no mesmo dia. A indicação da tarde pode, além disso, fazer referência às reuniões dominicais das primeiras comunidades cristãs.

Os discípulos, não somente os apóstolos, estão reunidos com as portas fechadas, com medo, numa situação de angústia que muda radicalmente com a chegada de Jesus que se faz presente aos seus discípulos naquela tarde como em qualquer outra circunstância ou tempo; a sua saudação «Paz a vós» (Shalom) é um dom efectivo de paz, como o próprio Jesus tinha prometido: «É a minha paz que eu vos dou; não a dou à maneira do mundo» (Jo 14,27). Jesus mostra as mãos e o lado, donde tinha saído sangue e água, para mostrar a fonte da eficácia salvífica da sua morte. Além disso sublinha-se a identidade entre o Senhor glorioso da Igreja e o Jesus crucificado. Os discípulos reconhecem imediatamente Jesus, sem reservas.

Jesus diz-lhes de novo: «Paz a vós». Com a ressurreição, Jesus deu início a um tempo novo, assinalado pela alegria, mas também caracterizado por uma nova tarefa confiada aos discípulos. «Como o Pai me enviou, também eu vos envio». Não se trata dum confronto entre duas acções de envio, a do Pai em relação ao Filho e deste em relação aos discípulos; é indicada, isso sim, a forte continuidade duma única missão recebida do Pai, primeiro por Jesus e agora pelos discípulos, não somente aqueles, presentes em Jerusalém, mas também os do futuro, de todas as épocas e lugares.

Após o envio segue-se o dom do Espírito Santo, em vista da missão de que são investidos os discípulos. O gesto de Jesus reproduz o gesto primordial da criação do homem, o que mostra o objectivo bem claro de sugerir que se trata aqui duma nova criação. Jesus glorificado comunica o Espírito que faz renascer o homem, concedendo-lhe poder partilhar a comunhão com Deus.

A seguir fala-se de perdão dos pecados. Referindo-se a Mt 26,28 e ao que é comum nos evangelhos, agora João explicita o conteúdo do mandato confiado aos discípulos: o perdão dos pecados, o dom da misericórdia. A fidelidade de Jesus ao Pai na sua paixão e morte trouxe a salvação que se concretiza no acolhimento do pecador e na condenação do pecado. Graças à vitória de Cristo a salvação divina prevaleceu sobre as trevas e atingiu todas as pessoas através do ministério dos discípulos.

A formulação em positivo e negativo deste versículo deve-se ao estilo semítico que exprime através dos contrários «perdoar/reter» a totalidade do poder misericordioso transmitido pelo Ressuscitado aos discípulos. Salvação para quem crê e acolhe o dom de Jesus, condenação para quem não se abre a Ele com fé.

Pe. Franclim Pacheco

Diocese de Aveiro


 

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