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XI DOMINGO DO TEMPO COMUM – Ano A

Breve comentário

Jesus, depois de ter proposto um programa novo e diferente da mentalidade do seu tempo (Mt 5), com a superação da lei e da observância com as exigências maiores do amor (Mt 6-7), depois de ter testemunhado o que tinha anunciado com gestos de libertação (Mt 8-9), chama os seus discípulos e envia-os às multidões dando-lhes os seus próprios poderes (Mt 10). A comunidade é chamada a prolongar e a alargar a sua ação libertadora, curadora, salvífica. O novo povo de Deus, sobre o fundamento dos doze apóstolos, é um povo sacerdotal, real e profético, chamado a colaborar com Jesus.

Atrás, Jesus, ao ver a multidões, sentou-se e ensinou-as. Agora, ao ver as multidões sente compaixão por elas, uma compaixão que só Deus é capaz de sentir pela humanidade. Não há quem as ame e procure como um bom pastor.

Jesus compara a missão a uma colheita. Há tanta gente pronta a responder ao evangelho, tanta gente que espera uma palavra de vida, ma os mensageiros são poucos. A exortação à oração está a significar que Deus está na origem da missão, é responsável pela seara, a Ele devemos converter-nos com a oração. Por isso chama os Doze e confia-lhes a missão.

O número 12 é uma referência às 12 tribos de Israel. Para anunciar a nova lei do novo Moisés, é preciso um novo povo que acolha a palavra do novo Moisés (Jesus). A missão dos discípulos é posta em estreito paralelo com a missão de Jesus. A ideia dominante é que o ministério dos apóstolos é o prolongamento do ministério de Jesus. É dado aos discípulos o mesmo «poder» que tinha Jesus (9,6-8; 7,29: 8,9) e a mesma acção curadora (4,2; 9,35). Não se trata de poder de chefia, de comando, mas do que é necessário para a missão a eles confiada, para servir a humanidade.

O termo «apóstolo» apenas aqui é usado por Mateus e com o sentido de «enviados». pelo que se pode entender como um convite dirigido a todo o novo Israel, através dos doze, as colunas do novo povo da nova lei, a lei do amor.

As várias listas dos Doze (Mc 3.16-19; Lc 6, 13-16; Act 1,13), com pequenas variações, têm sempre Pedro em primeiro lugar e Judas em último.  A diversidade: um publicano, um cananeu, um iscariotes que o trairá. Nem toda a gente parece, nem de boa posição na sociedade nem instruída. O chamamento vem duma livre escolha de Jesus e não de méritos ou da importância das pessoas, para que a fraqueza destes revele o poder de Deus.

A limitação dos confins da missão («primeiramente às ovelhas perdidas da casa de Israel») sublinha a prioridade a dar à casa de Israel.  Um interesse pelas «ovelhas perdidas» (Ez 34,1-16; Is 53,16) antes de mais, e a seguir pelas desconhecidas (os gentios). Mateus, judeu a escrever para judeus, coloca em evidência o amor de Deus pelo povo de Israel. O mandato confiado aos apóstolos é muito exigente: curar os doentes, ressuscitar os mortos, expulsar os demónios. Para Jesus nada é impossível e também existem doentes e mortos espiritualmente não menos fáceis de curar e fazer reviver do que os doentes e mortos fisicamente, e existem também possessos por ideologias e mentalidades destrutivas.

Portanto, a missão é feita de pregação e cura, anúncio e promoção humana, vinda do Reino, juntamente com a luta pela justiça e pela paz. Por isso, a missão não pode deixar de ser gratuita pois não pertence aos enviados. Assim se realiza o espírito das bem aventuranças (Mt 6, 25-34).

P. Franclim Pacheco

Diocese de Aveiro


 

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