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Da Ilha do Príncipe… “Que Deus aumente!”

“Sinto-me a navegar em águas que não conheço.
Mas o que sei é que tenho de dar o meu melhor para  fazer render este dom que Deus colocou nas minhas mãos.”

“Que Deus aumente” e “Deus acrescenta” são as expressões tantas vezes ouvidas, mais que o “obrigado”, quando damos alguma coisa a alguém. É esta a experiência que tenho feito, juntamente com as pessoas que colaboram na distribuição de cabazes que a Paróquia do Príncipe tem feito, fruto das ajudas vindas de pessoas, quase todas, ligadas à Diocese de Aveiro.
Sinto, nestas expressões usadas, um testemunho de fé que me recorda que a origem do amor é Deus e me faz experimentar que qualquer que seja o momento da vida que se esteja a viver, Ele é nosso/meu Pai.
Até agora, já distribuímos 444 cabazes para ajudar as famílias das comunidades desta ilha, para além de outras ajudas dadas no centro da cidade de Santo António. O total gasto foi de 6 922,80€. Estamos agora a preparar a terceira volta e que irá abranger mais famílias, mais de trezentas, e iremos reforçar um pouco o apoio dado com mais bens, nomeadamente leite para crianças.
Quando fiz o apelo, não esperava de modo nenhum chegar aos valores que se atingiram. No momento em que escrevo, dia 1 de julho, as partilhas feitas, que vão dos 5€ aos 2000€, somaram 35 343, 81€.  Colaboraram 309 pessoas individualmente e partilharam ainda instituições: Diocese de Aveiro, Casa do Gaiato, um agrupamento de Escuteiros, a ONG ORBIS, Cáritas Diocesana de Aveiro. A estas há a acrescentar  as Paróquias e uma Comissão de Culto, que fizeram recolha e enviaram essa partilha. Muitas pessoas não consigo identificar, mas percebi que a quase totalidade são pessoas das Paróquias da Diocese Aveiro. Em todo este processo, senti de modo ainda mais especial a partilha individual de alguns meus colegas padres e alguns diáconos. Estou sentidamente agradecido.
Só posso pedir que Deus aumente em cada um dos que colaborou a Sua Graça e a Sua paz. Sinto agora o peso da responsabilidade no uso deste valor que me foi colocado nas mãos para administrar. Peço a Deus  que me/nos ajude a encontrar a melhor maneira de utilizar este dinheiro. Está a ser e será para apoio alimentar de higiene aos mais fragilizados, mas esta soma permite sonhar um pouco mais, o que partilho com todos vós.
Uma das dificuldades que vou constatando é a distância que os alunos a partir do 10.º ano têm que fazer a pé para chegar à escola. Em alguns casos são horas para cada lado e muitas vezes já de noite e em muitos casos sem comer. A formação e a educação são essenciais para o desenvolvimento integral da pessoa humana. Assim sendo, depois de falar com o Bispo diocesano e porque a Paróquia possui duas casas, neste momento desocupadas, iremos implementar, por um ano, à experiência, dois pequenos lares de acolhimento a estes estudantes de segunda a sexta-feira com alimentação incluída. Um para raparigas e outro para rapazes. Destinar-se-ão aos que têm mais dificuldades e habitam nas comunidades mais distantes. Para este ano penso que a sustentabilidade estará garantida.
Sinto-me a navegar em águas que não conheço. Mas o que sei é que tenho de dar o meu melhor para fazer render este dom que Deus colocou nas minhas mãos. Aos que colaboraram ou gostariam de ter colaborado e não lhes foi possível, o meu e nosso muito obrigado. Rezamos agradecidos por vós. Rezem por nós.

P.e Francisco Melo


 

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