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XIX Domingo do Tempo Comum – Ano A

Breve comentário

Olhando para o texto deste domingo, tal como ele se apresenta, facilmente verificamos que se trata duma catequese sobre o estatuto do discípulo convidado a confiar totalmente no seu Senhor mesmo em situações que põem em crise a sua adesão de fé. Só no final a comunidade dos discípulos, educada na sua fé por meio das provas, faz a profissão de fé em Jesus: «Tu és verdadeiramente Filho de Deus!».

O primeiro momento deste itinerário de fé é a separação de Jesus por parte comunidade dos discípulos. Eles encontram-se sozinhos no barco «agitado pelas ondas por causa do vento contrário». A comunidade dos discípulos, separada de Jesus, não está em condições de o reconhecer quando ele, ao fim da noite, vem ao seu encontro «caminhando sobre o mar».

Jesus vem da sua experiência de oração solitária sobre o monte. É a única vez (além do Getsémani) que Mateus retrata Jesus nesta atitude de oração solitária que, porém, era extremamente habitual nele. Se aceitamos a colocação tradicional da multiplicação dos pães em Tabga, o monte sobre o qual Jesus esteve a rezar sozinho pode ser a colina hoje chamada das «Bem Aventuranças», onde Jesus pronunciou o discurso da montanha.

Jesus caminha sobre o mar, tal como o Deus criador e senhor do universo e salvador do povo no Êxodo. Jesus é o Senhor que controla as forças ameaçadoras – o vento e as ondas agitadas – mas é também o salvador que socorre a sua comunidade no meio das provas. Neste contexto, as palavras de Jesus («Sou eu, não temais!») adquirem uma ressonância religiosa específica: é o convite à confiança dos crentes, fundada na presença e poder salvífico do Senhor, aquele que se revelou como «Eu sou», o Deus do Êxodo.

É com esta confiança («Se és tu, Senhor…») que Pedro pede para o seguir, caminhando sobre as águas. A resposta de Jesus soa como um convite e ordem que consente a Pedro ser de algum modo associado ao estatuto glorioso do Senhor. Mas Pedro, protótipo dos discípulos, não está desligado da sua fé histórica que convive com o medo, a dúvida e a incerteza (cf. Mt 28,16). Nesta situação de miséria humana, Pedro invoca a ajuda do seu Senhor («Senhor, salva-me!»), tal como atrás todos os discípulos imploraram o seu socorro no meio da tempestade (Mt 8,25). Do mesmo modo Pedro recebe a mesma censura já antes dirigida a todos (Mt 8,26): «Homem de pouca fé, porque duvidaste?».

Pedro, tal como os outros discípulos, vive no estatuto da fé que apela e invoca o seu Senhor como salvador nas provas; mas é uma fé ameaçada continuamente pelo medo e pela dúvida. É a presença de Jesus Senhor que, com a sua palavra e gesto salvífico, faz sair da crise os discípulos de «pouca fé» para os fazer chegar àquela fé segura da comunidade crente, no meio da qual se encontra Jesus, reconhecido e proclamado explicitamente como «Filho de Deus» (cf. Mt 28,20).  

P. Franclim Pacheco

Diocese de Aveiro

 

 


 

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