Pages Navigation Menu

Sinais inquietantes | Por uma cultura do cuidado, do respeito e do perdão

Sinais inquietantes

Por uma cultura do cuidado, do respeito e do perdão

Todo o ser humano é maior do que o seu erro, a sua fragilidade, as suas circunstâncias ou quaisquer limites em que se veja condicionado. Todo o ser humano é portador de uma dignidade que lhe confere uma condição de inviolabilidade que se constitui como um direito e, simultaneamente, um dever.

A Comissão Diocesana da Cultura, enquanto serviço organizado da diocese de Aveiro atento aos sinais que, pela cultura, nos falam do sentir da humanidade situada num lugar e num tempo concretos, desafia à leitura atenta de alguns indícios que falam de uma disponibilidade progressiva para a negligência do reconhecimento da inviolabilidade da vida.

Sendo todo o homem maior do que o seu erro, são inquietantes os sinais que se vão avolumando de uma disponibilidade para aceitar o regresso da pena de morte.

Sendo toda a vida humana anterior, superior e maior do que todo o limite e fragilidade, são inquietantes os sinais de abandono e rejeição da fragilidade e da debilidade, predispondo-se à aceitação da eutanásia e do eugenismo.

Sendo todo o ser humano portador de uma dignidade que lhe é inerente, provenha de onde provier, são inquietantes os sinais de rejeição dos que, como nós, outrora, imigram e migram ou, ainda mais dolorosamente, têm de refugiar-se onde encontrem paz e tranquilidade.

Sendo o ser humano o fulcro, a meta e o horizonte de toda a ação política, são inquietantes os sinais que pretendem fazer dos meios fins e dos fins meios…

Diante de tão inquietantes sinais que parecem pretender dividir a sociedade em ‘nós e eles’, a Comissão Diocesana da Cultura, na senda dos desafios que vem colocando, ao longo dos tempos, a Igreja como comunidade de irmãos, consequente com os desafios que o Papa Francisco vem renovando, e reconhecendo a ação eficaz de tantos homens e mulheres de boa vontade, apela a uma renovação do sentido da ação política que se centre no reconhecimento de que a diversidade de sentir e pensar não pode constituir-se como pretexto para a promoção de cisões entre pessoas e a rutura dos mais fortes laços de solidariedade e sentido de pertença.

Apela, também, ao reconhecimento da inviolabilidade da vida humana, sempre, sem exceções. Que cada ser humano, desde que o é até ao seu natural findar, seja respeitado e cuidado, de modo a sentir-se sempre acompanhado. Para que a vida em sociedade seja, de facto, centrada na pessoa humana, fim último do Estado e meta de todas as instituições e estruturas sociais.

Face aos sinais inquietantes, a Comissão Diocesana da Cultura apela à consolidação de uma cultura do cuidado e do respeito pela dignidade intrínseca a toda a vida humana. Apela ao respeito pela verdade da condição humana, sem arbitrariedades nem tacticismos, mas verdadeiramente disponível para acolher o outro. Desafia ao reconhecimento de uma genuína fraternidade que se compadece do outro e assume como própria a sua fragilidade e limite. Isso é tornar-se próximo, categoria ativa de quem se aproxima do outro e nele reconhece um irmão, mesmo sem nome, sem terra, sem história.

A sociedade não é um abstrato, mas uma comunidade; não é mera soma de indivíduos, mas relações entre pessoas.

Por uma cultura da proximidade, por uma cultura do cuidado e do acolhimento…

A Comissão Diocesana da Cultura | Aveiro

www.diocese-aveiro.pt/cultura


 

  • Facebook
  • Google+
  • Twitter
  • YouTube