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Semana dos Seminários – Mensagem de D. António Moiteiro

Semana dos Seminários 2020

Jesus chamou os que Ele quis e foram ter com Ele (Mc 3, 13).

 

  1. Vocação como encontro com Cristo

Para anunciar o Reino de Deus, Jesus chama discípulos que o acompanhem e sigam os seus passos. Tudo começa na Galileia e é aí que encontra os primeiros quatro discípulos, ocupados nos trabalhos da pesca. Ele vai em busca de simples pescadores – o que significa que Jesus procura cada um no lugar e na sua própria situação concreta em que se encontra.

Jesus não lhes diz o que vão fazer, apenas diz “Vinde comigo”, “Segui-me”, “Farei de vós pescadores de homens”. Prontamente, todos aceitam, deixam o seu trabalho e a sua família. Há urgência no seguimento porque é urgente iniciar a comunidade do Reino.

As multidões também seguem Jesus e, com elas, sobe a um monte, sinal de encontro com Deus. De entre essa multidão, Jesus chama os que Ele quis. Está aqui o segredo de toda a vocação e, de um modo muito particular, o chamamento a uma vida de consagração, de edificação do Reino de Deus.

Jesus chama. É Ele que toma a iniciativa, que convoca para serem construtores do reino de Deus. A vocação é sempre um desafio, e sem uma experiência forte de encontro com Cristo não temos possibilidade de ouvir e seguir o seu chamamento. Temos de encontrar formas novas para abrir caminhos para que o Senhor possa falar e chamar os nossos adolescentes e jovens nos lugares onde se encontram: na família, na escola, no grupo de amigos… Toda a vocação nasce do encontro com Jesus e em ajudar outros a experimentar este encontro e acompanhá-los no caminho do Evangelho.

Os que Ele quis. Ser discípulo é a única resposta que se pede àqueles que querem seguir e viver o amor de Jesus. O que define a vida do discípulo é a relação pessoal com Jesus e com o seu projeto. Aconteceu com os primeiros discípulos que estavam nas margens do lago da Galileia, mas acontece também hoje com tantos que ouviram a sua voz e o seguem nas mais variadas circunstâncias da vida.

Para que estivessem com Ele. Jesus convida os seus discípulos para estarem com Ele e aprenderem com o seu estilo de vida. O fundamental da nossa experiência de discípulos é sermos capazes de estabelecer uma relação com Deus que se nos comunica, no seu Filho Jesus. Ser discípulo é caminhar com o Mestre, perguntar onde mora e ouvir Jesus «vinde e vereis». Os discípulos foram com Jesus e «viram onde morava e ficaram com Ele nesse dia» (Jo 1, 39).

Para os enviar a pregar. Deus chama para enviar. Os discípulos por excelência são os Doze, grupo formado pelos que Jesus chamou pelo próprio nome, os que o acompanharam sempre como testemunhas do que fez e disse, para serem enviados a anunciar e tornar presente o reino de Deus (Mc 6,7-13).

 

  1. Jovem, Eu te ordeno, levanta-te!

Jesus continua a chamar discípulos para estarem com Ele e para os enviar a pregar o Reino de Deus. Neste tempo de preparação para a Jornada Mundial da Juventude, a realizar em Portugal, com o tema “Maria levantou-se e partiu apressadamente” (Lc 1,39), não poderia deixar de me dirigir a vós, queridos adolescentes e jovens, para vos dizer que a Igreja olha para vós com esperança, confiança e amor. Ela vê na juventude a constante renovação da vida da humanidade.

Este primeiro ano do triénio de preparação da JMJ vai buscar ao episódio da viúva de Naim o lema que nos vai ajudar a caminhar ao longo deste ano pastoral. Há jovens que se limitam a queimar etapas, sem ter clara a meta para onde caminham. Se perdeste o vigor interior, os sonhos, o entusiasmo, a esperança e a generosidade, diante de ti está Jesus, como parou diante do filho morto da viúva de Naim, e Ele, com todo o seu poder de Ressuscitado, exorta-te: «Jovem, Eu te digo: levanta-te!» (Lc 7,14). Não se trata de seguir uma ideia, um projeto, mas de encontrá-lo como uma Pessoa viva, de deixar-se envolver por Ele e pelo seu Evangelho.

Foi isto que aconteceu com Carlo Acutis, o mais jovem santo que a Igreja nos propôs, no dia 10 de outubro. Nascido em 1991, em Londres, filho de pais italianos, a sua vida decorreu quase toda em Milão. Morreu em 2006, com quinze anos, e é uma luz que irradia em numerosos grupos de jovens que o têm como modelo. O seu lema era: «Todos nascem como originais, mas muitos morrem como fotocópias». Para ele, toda a pessoa nasceu como um ser único e irrepetível e tem uma mensagem para os jovens de hoje: a vida em Cristo é bela e deve ser vivida em plenitude. Desde a infância manifestou um grande amor à Eucaristia e uma grande caridade para com o próximo, sobretudo os pobres, os sem-abrigo, os marginalizados e os idosos abandonados e sozinhos.

Nesta semana de oração pelos seminários, proponho que, no teu computador ou telemóvel, procures conhecer a vida deste jovem e te deixes enamorar pelos ideais que nortearam a sua vida.

 

  1. O nosso Seminário hoje

O Seminário é, no dizer do Concílio Vaticano II, o “coração da Diocese” e, como tal, para nós de singular referência vocacional. Ele constitui a principal instituição diocesana e ultrapassa mesmo os limites da Diocese.

Este ano foram dois jovens para o Seminário propedêutico de Caparide, temos um seminarista teólogo no Seminário dos Olivais, em Lisboa, e, embora não tenhamos este ano uma comunidade residente no Seminário de Santa Joana, em Aveiro, continuamos, através do Pré-Seminário, a trabalhar na Obra das Vocações. Fruto do nosso Seminário, no próximo dia 8 de dezembro serão ordenados sacerdotes os diáconos Fábio Freches e Nuno Gonçalves.

O Pré-Seminário é a instituição diocesana que promove e acompanha todos aqueles que se interrogam se o Senhor os chama para uma vida de serviço na Igreja como sacerdotes. Pelo Seminário passam aqueles rapazes que, vivendo com as suas famílias, frequentam as atividades promovidas pela equipa do Seminário. Este ano, por causa da pandemia, e para evitar as reuniões dos candidatos de vários pontos da Diocese num só local, propõem-se os encontros “2 ou 3”, de menor duração, e com um número de participantes mais reduzido, isto é, até 10 elementos. Cumpre-se a citação do evangelho «Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, Eu estarei no meio deles» (Mt 18, 20), e mesmo nos mais pequenos Cristo está presente. No Pré-Seminário temos, neste momento, doze grupos espalhados pela Diocese: Murtosa, Estarreja, Albergaria-a-Velha, Sever do Vouga, Aveiro 1 (para rapazes com mais de 13 anos), Aveiro 2 (para rapazes com menos de 13 anos), Ílhavo, Gafanha-Sul, Vagos, Oiã, Águeda e Anadia. Em todas as zonas da Diocese deve existir um lugar capaz de acolher o grupo que se reúne e ter um animador local que possa ir acompanhando os jovens no seu dia-a-dia. É uma forma simples de ir reunindo os jovens, dinamismo fundamental para cuidar de toda a vocação de consagração na Igreja.

Neste sentido, destacamos a adoração eucarística “Pedi trabalhadores para a messe”, que deve acontecer, regra geral, na última quinta-feira de cada mês, e cujas datas se podem consultar no sítio do Seminário. Também se celebra a Eucaristia no Seminário todas as quintas-feiras, pelas 19 horas, tendo como intenção a comunidade alargada do Seminário, e em sufrágio por todos os seus benfeitores.

A Semana de Oração pelos Seminários, que vai decorrer de 1 a 8 de novembro, é uma oportunidade que nos é dada para refletirmos sobre o lugar da vocação na Igreja, e ocasião propícia para propormos aos jovens a vocação consagrada. Neste sentido, celebra-se no Seminário, no dia 6, sexta-feira, pelas 21 horas, uma vigília de oração pelas vocações sacerdotais, e no dia 8, pelas 16 horas, na Igreja do Seminário, uma Eucaristia para “pedirmos trabalhadores para a messe” (Mt 9, 38).

Caros diocesanos, uma das principais preocupações da vida das nossas comunidades deve ser esta: Sem pastores não é possível responder aos desafios que a nossa sociedade exige no anúncio do Evangelho. Precisamos de jovens disponíveis para aceitar os desafios de Deus e para serem porta-voz desses desafios no mundo. Estejamos, pois, atentos a incentivar e animar todos os que Deus chama.

Que Maria, a mãe de Jesus, juntamente com S. José, patrono dos Seminários, nos ajudem a discernir e a abrir caminhos onde possamos concretizar propostas vocacionais que façam felizes os adolescentes e os jovens do nosso tempo.

 

Aveiro, 18 de outubro de 2020, Festa de S. Lucas.

† António Manuel Moiteiro Ramos, Bispo de Aveiro.


 

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