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RESPOSTA IMEDIATA AO CONVITE DE JESUS  

DOMINGO III TC 

Georgino Rocha 

O evangelho deste domingo, na versão de São Marcos, narra dois episódios diferentes, mas que se interrelacionam profundamente. Dir-se-ia que se trata da “passagem do testemunho”: João Baptista é silenciado e metido na prisão onde será morto; Jesus entra em cena proclamando a Boa Notícia de Deus, dizendo: «O tempo já se cumpriu e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e acreditai na Boa Notícia». E na sequência deste anúncio, parte para a zona do mar da Galileia, onde encontra homens na faina da pesca: Simão e André, seu irmão, e Tiago e João, filhos de Zebedeu. Viu-os com olhar de benevolência e convida-os a seguirem-no com a garantia: «Farei que vos torneis pescadores de homens». Sem mais explicações. Imediatamente eles deixam tudo e vão com Jesus.

É impressionante a prontidão dos convidados. A sua resposta fica como referência exemplar da atitude de quem é chamado. A sua disponibilidade indicia uma liberdade interior capaz das maiores ousadias. A sua confiança tem apenas como alicerce a força persuasora de quem lhes faz o convite. E, deixando tudo, imediatamente O seguiram. Mc 1, 14-20. 

É esta força persuasiva que brilha na Palavra de Deus, que, por vontade do Papa Francisco, é recordada e venerada, hoje, de modo especial.

“O dia dedicado à Bíblia pretende ser, não ‘uma vez no ano’, mas uma vez por todo o ano, porque temos urgente necessidade de nos tornar familiares e íntimos da Sagrada Escritura e do Ressuscitado, que não cessa de partir a Palavra e o Pão na comunidade dos crentes”, precisa o Papa.

Jesus vive uma “hora” complexa. A prisão de João Baptista não augura nada de bom. Risco semelhante pode correr em qualquer momento. É tempo de pensar no futuro e começar a preparar as suas bases, desde já. Caminha à beira-mar e vai sonhando. Olha a grandeza e o encanto do ambiente que o rodeia, o ruído que vem da faina da pesca de uns homens que, diligentemente, lançam as redes. Vê nesta ocorrência a possível solução e a desejada oportunidade: Iniciar “a pesca de homens” a quem, mais tarde, entregaria a sua missão. Entretanto, andariam consigo, veriam o que fazia, estabeleceriam laços de comunhão fraterna, tentariam compreender os ensinamentos e, sobretudo, beneficiariam do seu estilo de vida itinerante, sóbrio e confiante em Deus-Pai. “Habilitavam-se”, tanto quanto pudessem, para o serviço a realizar.

Também ele lança a rede. E o resultado é imediato. Surge o primeiro núcleo apostólico que se alargaria progressivamente. Pedro e André, Tiago e João – pertencentes a duas famílias. Ser pescador de homens constitui uma das imagens conhecidas em Israel, pois era usada para expressar o papel universal e mediador que caberia ao povo amado por Deus, nos tempos messiânicos (Ez 47, 9-11). O chamamento e a indispensável preparação têm um objectivo claro: servir o Reino de Deus que está em curso. Por isso, os vocacionados devem apreender em que consiste, viver e transmitir a sua mensagem, celebrar as suas maravilhas e anunciar o seu crescimento progressivo até à plenitude no futuro em que Deus e o homem selam a comunhão definitiva.

O Papa Francisco insiste na necessidade de “escutar as sagradas Escrituras para praticar a misericórdia: este é um grande desafio lançado à nossa vida. A Palavra de Deus é capaz de abrir os nossos olhos, permitindo-nos sair do individualismo que leva à asfixia e à esterilidade enquanto abre a estrada da partilha e da solidariedade”. E deseja que o “domingo dedicado à Palavra (possa) fazer crescer no povo de Deus uma religiosa e assídua familiaridade com as sagradas Escrituras”.

O reino que Jesus anuncia encontra-se já nas acções que realiza e contém, em gérmen, a sociedade nova respeitadora da vida, assente na verdade e no amor, na justiça e na paz, na liberdade e na igualdade; sociedade aberta a valores que a superam e lhe abrem horizontes novos: a proximidade de Deus que se manifesta como Fonte da bondade e da beleza.

Ao comentar a encíclica «Todos Irmãos», sobre a fraternidade e amizade social, D. José Tolentino afirma: “As grandes perguntas que acabam por julgar a qualidade da atividade política pública são ‘Quanto amor coloquei no meu trabalho? Em que fiz progredir o povo? Que marcas deixei na vida da sociedade? Que laços reais construí? Que forças positivas desencadeei? Quanta paz social semeei? Que produzi no lugar que me foi confiado?’”.

Bela e pertinente série de perguntas, sobretudo para os tempos que correm. O convite de Jesus está feito e é apelativo. A resposta terá de ser pronta e generosa.


 

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