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Anunciar o que se (quer) vive(r)

“Vamos escutar (…) aprendendo novas linguagens para falar de Deus

e acolher os anseios do coração humano”. – D. António Francisco.

A comunicação mútua realiza a expressão consentida do que nos vai fazendo viver. Através do estandarte diocesano da Missão Jubilar, colocado nas nossas casas, queremos expressar um Anúncio feito de Vida e História a compartilhar. E continuar a inscrever dentro desse Anúncio, na linha maior do Tempo, os nossos gestos feitos Hoje.

É o Anúncio que confirma e dá alento ao nosso coração e guia os nossos passos, ainda que incertos, revestidos de firmeza, por vezes esgotados mas nunca perdidos. Precisamos, uma vez mais e de cada vez menos, escolher entre o caminho da pura acomodação e da resignação, ou até mesmo da amargura, e o da Liberdade primeira a que o Anúncio nos convida.

Anunciar em palavras e gestos, perguntas e conversas, olhares e afetos, divisões e partilhas – pela disponibilidade singular em colocar um «estandarte» – em tudo respeitamos o universo das decisões livres para acolher que o anúncio também pode ser desfeito ou suspenso. Ao mesmo tempo, e com diferente intensidade, anunciamos e podemos ser denunciados, questionamos e somos questionados, consolamos e somos desinstalados, queremos em tudo, com simplicidade, suscitar um rosto de Esperança.

Querer estar de boa-fé, pela conversão ao Evangelho, na pessoa e na história de Jesus: Aquele que ao ser anunciado nos muda o horizonte da Felicidade. É quando anunciamos “isto” juntos que melhor experimentamos e partilhamos a presença do Ressuscitado no meio de nós. Ao sermos uma «comunidade/igreja anunciadora», isto é, disposta à boa-fé, no duplo sentido da palavra, mostramos um acreditar verdadeiro, que vai mudando o nosso viver na prática, e ao mesmo tempo, partilharmos um tempo de fidelidade em comum.

Nessa continuidade de todos dias no trabalho, no convívio, e na insistência, ilumina-se a decisão alegre de crescer no silêncio da proximidade, entre vizinhos e conhecidos, com o próprio mistério de Deus, como alicerce. Ele já se anuncia no Desejo de diminuir o mundo do ruído que nos habita constantemente, para irmos gozando das nossas presenças sem obrigações impostas.

Somos como um grão de mostarda, que, ao ser semeado na terra, é a menor de todas as sementes que há sobre a terra, mas depois de semeado, começa a crescer, e torna-se uma oportunidade única para construímos uma história diferente. Só pode crescer mais – ou é mais fácil fazê-lo – quem se considera e sabe «pequeno». O Anúncio não é tudo. O Anúncio é o princípio para tudo. Anunciar significa abrir um espaço maior para o Diálogo e a Gratuidade.

Pe. Pedro José, em sintonia com todas as pessoas que decidiram nas Gafanhas da Nazaré e da Encarnação, colocar o seu estandarte de forma visível nos seus lares, locais de trabalho

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