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A missão está a chegar ao fim

Com regresso a Portugal previsto para outubro, o P.e Francisco Melo faz o balanço da missão e agradece aos muitos que o ajudaram.

“Na missão que estou a terminar tentei ser como Deus quer”

A missão que me foi confiada e abracei na ilha do Príncipe está a chegar ao fim. Esta missão foi por mim assumida ao abrigo de um acordo entre as Dioceses de Aveiro e São Tomé e Príncipe. O ideal é sempre o mesmo: ANUNCIAR JESUS CRISTO, A BOA NOVA DE DEUS PAI.

Mas a concretização deste ideal é muitas vezes afetada por realidades que dificultam a sua realização. Nesta situação concreta, destaco a pandemia e os seus efeitos, nomeadamente as restrições impostas, como por exemplo a proibição de culto com assistência de pessoas, proibição de reuniões e outros. Estive no Príncipe 20 meses e, destes, 7 meses foram de restrição total ao culto e outras reuniões e os restantes com proibições e indefinições que foram limitando o trabalho projetado. A isto tudo acrescem as minhas limitações e fragilidades pessoais, que durante este tempo se impuseram de modo surpreendente para mim.

No entanto, sempre Deus tem os seus caminhos… e estas realidades fizeram-me experimentar a generosidade de uma Diocese, em especial através das Paróquias onde trabalho e trabalhei anteriormente e dos meus colegas Padres. Senti a grandeza da Vida e Amor de Deus presente no coração da pessoa humana. Nesta gratidão, incluo as pessoas que no Príncipe me ajudaram e destaco a generosidade inexcedível das irmãs Eufrosina e Maria Franco. Por fim, mas não menos importantes, o apoio dos Bispos diocesanos, D. António Moiteiro e D. Manuel António. Muito obrigado a todos, por tudo.

Na missão que estou a terminar tentei ser como Deus quer. E aqui sempre se joga a tensão entre culturas, entre cultura local e Evangelho.  Aqui se sente a permanente pergunta sobre qual a linha que separa o que é tradição e cultura e o que é ética e moralmente aceitável à luz da dignidade da pessoa humana. Aqui experimentei fortemente tudo o que se vai refletindo sobre a inculturação e o que pode e deve significar a evangelização de um povo e de uma cultura. É uma busca diária libertar-me das minhas certezas e convicções e acolher as sementes de Deus que irrompem diante de mim e do próprio Deus que há muito me precedeu no coração das pessoas, da sua vida e cultura. Qual era o meu lugar no meio de tudo isto foi e é a questão que permanentemente me acompanha.

No meio desta minha atividade, assumiu um papel preponderante a gestão dos bens que me foram confiados, como dinheiro, roupas, calçado, bens alimentares, livros, material escolar e outros. Fica-me o sabor amargo de sentir que não fiz o que devia nem como Deus queria. Resta-me implorar o perdão de Deus e das pessoas que me foram confiadas para eu servir.

Do dinheiro partilhado, 32 436,76€ foram gastos diretamente em compra de alimentos que se distribuíram em cabazes pelas diversas comunidades da ilha e outros diretamente às pessoas que nos procuravam. Gastaram-se 15 917.53€ em compra de medicamentos, donativos em dinheiro dado às pessoas para as mais diversas necessidades e ainda no transporte dos bens até ao Príncipe, em concreto de contentores que vieram com material de Portugal e ainda em algumas ações da Paróquia.

Tudo está gasto e distribuído. Resta-me afirmar que não esquecemos as comunidades onde se chega só de barco. Também nessas procurei fazer sentir a presença de Deus que jamais nos esquece.

Peço que não se façam mais depósitos de donativos para o Príncipe na minha conta bancária. Fechei as contas.

Neste tempo, procurei que a Igreja católica continuasse a ser significativa neste povo, mesmo

entre os não católicos; esforcei–me por colocar a celebração da Eucaristia e a sua vivência no centro da vida de cada um e da comunidade paroquial; trabalhei para que a catequese tivesse o ritmo normal no meio de todas as limitações impostas pela pandemia e da realidade concreta deste povo. Sinto-me feliz porque ao menos conseguimos realizar a Primeira Comunhão, o Crisma e ainda a festa da profissão de fé.

Agradeço a Deus, à Igreja e a todos os que me ajudaram neste tempo. OBRIGADO – DEUS ACRESCENTA…

Padre Francisco Melo


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