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A ESCOLHA: AS RIQUEZAS OU SEGUIMENTO DE JESUS

DOMINGO XXVIII DO TEMPO COMUM 

Georgino Rocha 

“Que hei-de fazer para alcançar a vida eterna”?, pergunta um jovem galileu que apressado sai ao encontro de Jesus no caminho para Jerusalém. Cumpre os mandamentos, responde. Já o tenho feito. Sim, rememora Jesus os que se referem à relação com os outros e olha-o com simpatia, acrescentando: Uma coisa te falta, vende os teus bens e dá o resultado aos pobres. Assim terás um tesouro nos céus. Depois, vem e segue-me. O jovem fica triste e retira-se porque era muito rico. 

A escolha é uma regra da vida que nos brinda vários caminhos para satisfazer as aspirações profundas do coração. Preferir é dizer sim ao que corresponde e dizer não ao que lhe é contrário. Salomão opta pela sabedoria em vez do poder, das riquezas e de uma longa ( 1ª leitura); a Palavra de Deus, ajuda a discernir e a fazer a escolha certa (2ª leitura). No Evangelho, Jesus propõe ao jovem (a nós) que faça livremente a escolha que lhe proporciona o que buscava.    

Esta pergunta existencial é emblemática da condição humana. Feita no tempo de Jesus, percorre toda a história. Um homem sem nome simboliza a pessoa que toma consciência das suas aspirações mais profundas. A pressa, no correr, marca o ritmo do coração. O gesto de se ajoelhar manifesta a humildade da procura e a confiança do encontro. O apelativo “bom mestre” desvenda o segredo que o anima na sua busca inquietante: alcançar a vida eterna. A pergunta é pertinente e decisiva e a resposta ansiosamente aguardada. Mc 10, 17-30. 

O Papa Francisco abre neste fim de semana, 9 e 10 de Outubro, a fase inicial  do XVI Sínodo dos Bispos, cujo tema é: “Por uma Igreja Sinodal: comunhão, participação e missão”. Visa seguir um processo que envolva o maior número de pessoas em ordem a discernir os assuntos a propor a debate na Assembleia Sinodal dos Bispos presidida pelo Papa e guiados pelo Espírito Santo. Também nós somos chamados a participar. Procuremos os meios adequados. 

Faz-nos bem voltar ao encontro do caminho de Jerusalém e rever a cena: Jesus acolhe-o, com solicitude, e sintoniza com o seu desejo mais profundo. Centrado na bondade, inicia o diálogo e eleva o referencial. “Ninguém é bom senão Deus”. E reconhece a sua honradez expressa na prática dos mandamentos. Aprecia o seu amor à vida, a fidelidade conjugal, o respeito pelos bens dos outros, o amor à verdade, a honestidade, a dedicação solícita ao pai e à mãe. Olha-o com simpatia e faz-lhe uma proposta aliciante e exigente: libertar o coração da “amarra” das riquezas e servir os pobres com os seus bens. Esta é a “coisa” que lhe falta para ter um tesouro mais valioso, a vida eterna. Esta é a atitude mais indicada para satisfazer a aspiração mais profunda do coração e realizar o desejo mais forte de felicidade. 

Momento crucial se segue. Cena comovente ocorre. Confiante, Jesus dirige-lhe um convite audacioso: “Vem e segue-me”. Instantes que condensam anos… O jovem cai numa tristeza profunda, endurece o rosto e retira-se cheio de pesar. Decisão crucial. 

O seu coração estava demasiado “amarrado” pelas riquezas que o impediam de ser livre, de “voar” mais alto, de ser mais radical, de corresponder ao que, ansiosamente, procurava. E, desiludido, regressa à monotonia da vida, continuando a “ruminar” aquele sonho “frustrado”. E tudo pelo amor desmedido às riquezas! 

Jesus insiste na necessidade de cultivar a liberdade do coração. Com muito ou com pouco. Outrora para os discípulos, testemunhas da ocorrência; agora, para nós que sentimos o “garrote” de tantas coisas que a sociedade de consumo nos impõe e a crise global agrava escandalosamente. De que temos de nos desprender para seguir sinceramente Jesus Cristo? 

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