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XXXIII Domingo do Tempo Comum – Ano B

Breve comentário

Aproximando-se o final do ano litúrgico (o próximo ano começa com o 1º domingo do Advento), a palavra de Deus quer orientar a nossa atenção para as realidades futuras para as quais se encaminha a história do mundo e da humanidade.

A esperança e a espera deste futuro são alimentadas com singular eficácia pela leitura do evangelho deste domingo. É a parte final dum discurso amplo e articulado – chamado discurso escatológico – em que Jesus anuncia o que acontecerá no mundo e em particular o que acontecerá aos seus discípulos, a Jerusalém (com a destruição da cidade e do templo) e, por fim, como se concluirá a história deste mundo.

O discurso é desencadeado pelo anúncio de Jesus acerca da destruição do Templo de Jerusalém: «Não ficará pedra sobre pedra…». Quando será isso e qual o sinal de que todas estas coisas estão para acontecer? É o que os discípulos querem saber.

Jesus começa por chamar a atenção aos seus discípulos para não se deixarem levar pelos muitos que surgirão a falar em nome dele com o intuito de enganar. A história prossegue o seu curso caracterizado por guerras, tragédias, carestias, sofrimentos e, em particular, com perseguições de todo o género a atingir os discípulos que, por causa de Jesus, serão odiados.

Forças pagãs irão instalar-se no Templo, profanando-o, criando um ambiente de guerra e de medo e, uma vez mais, aparecerão os falsos profetas a aproveitarem-se da confusão. É preciso estar atento e ser perseverantes. É aqui que se insere o texto de hoje. A linguagem usada (em itálico) é uma série de citações do Antigo Testamento em estilo simbólico – linguagem apocalíptica – que, para nós hoje, se torna à primeira vista difícil de descodificar. Não se trata dum anúncio de desgraças, mas, bem pelo contrário, um chamamento à confiança dos cristãos para um final feliz.

«O Sol vai escurecer-se… as estrelas cairão do céu». A linguagem forte que Jesus usa pretende, de forma simbólica, significar que será um acontecimento único e irrepetível: a intervenção de Deus sacudirá a própria natureza e envolverá toda a criatura. Para a maior parte dos povos daquela época, os astros eram considerados deuses. O anúncio da sua queda indica a intervenção que Deus irá realizar sobre o mundo pagão e as suas forças sobre aqueles que seguem o Evangelho. Trata-se dum combate que Deus irá levar a cabo contra o mal. A comunidade dos crentes deve, pois, alegrar-se.

«O Filho do Homem», isto é, Jesus, que está para ser repudiado e morto pelos homens, aparecerá com todo o seu esplendor da sua glória de Ressuscitado e Senhor. Virá «sobre as nuvens», que são símbolo da presença de Deus, ou seja, num plano de igualdade com Deus. Será um acontecimento de salvação universal para os «eleitos» que serão reunidos de todos os lados.

O poder e a glória do mundo pagão cessarão para darem lugar ao «grande poder e glória» do Filho do Homem que virá para reunir os «eleitos», os seus amigos, aqueles que perseveraram, ou seja, os cristãos que se encontram por toda a parte. Por isso, há que ter confiança até ao fim. É este o coração do anúncio: um acontecimento muito alegre, que não deve ser temido como perigo, mas deve ser desejado. À volta do Cristo glorioso serão reunidos todos os seus para refazer a família e celebrar a festa eterna.

É sugestiva a expressão usada por Jesus sobre a proximidade dos «últimos dias». Ele diz: «Sabei que isto está próximo, às portas». Esta imagem é usada também outras vezes na Escritura para exortar os crentes a estarem prontos para acolher o Senhor que passa: «Eis que o juiz está às portas» (Tg 5,9). E o livro do Apocalipse: «Eis que eu estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e me abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele e ele comigo» (3,20).

            Quando será isso e qual o sinal de que todas estas coisas estão para acontecer? Jesus não se interessa com as datas. O que importa é a certeza da sua vinda final e a necessidade da perseverança no bem. Para a sua vinda gloriosa, Jesus empenha-se a si mesmo com uma solene afirmação: «O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão».

P. Franclim Pacheco

Diocese de Aveiro


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