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Missa Crismal

«Graça e paz vos sejam dadas por Jesus Cristo, que é testemunha fiel, o Primogénito dos mortos, o Soberano dos reis da terra. Aquele que nos ama, que, pelo seu sangue, nos libertou do pecado e fez de nós um Reino de sacerdotes para o seu Deus e seu Pai: a Ele a glória e o poder pelos tempos sem fim».

1. Somos um reino de sacerdotes

Estas palavras que escutámos do livro do Apocalipse centram toda a nossa vida em Cristo vivo e ressuscitado, razão de ser da nossa vida de presbíteros e a comunhão em presbitério, tarefa nunca concluída, mas que exige o contributo de todos e de cada um de nós. O prefácio da Missa crismal define, claramente, a natureza do nosso ministério e a missão a que somos chamados: Ele não só revestiu de sacerdócio real todo o seu povo, mas também escolheu alguns, mediante a imposição das mãos, para participarem do seu ministério sagrado, guiarem com amor o povo santo de Deus, alimentarem-no com a palavra e o fortalecerem com os sacramentos.

Neste dia em que renovamos as nossas promessas sacerdotais, faz sentido recordar as palavras que nos foram dirigidas no dia da nossa ordenação: «Nós vos pedimos, Pai todo-poderoso, constituí este vosso servo na dignidade de presbítero; renovai em seu coração o Espírito de santidade e a sua vida seja exemplo para todos». 

A graça que nos é dada pelo Espírito Santo e o dom do serviço ao povo de Deus torna-nos capazes de sermos sinais e instrumentos da ação de Deus no meio do seu povo, que é a Igreja. A oração conclusiva das Ladainhas da ordenação do presbítero afirma: «Senhor nosso Deus, derramai sobre este vosso servo a bênção do Espírito Santo e o poder da graça sacerdotal».

Na festa anual do nosso presbitério agradecemos o dom do sacerdócio do P. João Evangelista Marques Sarrico (29/6) que celebra setenta anos de ordenação, o P. Manuel António Carvalhais (30/12) que celebra sessenta anos, os cinquenta anos de ordenação sacerdotal do P. Aberto Nestor Camões Rodrigues Sobral (8-12) e os vinte e cinco anos de ordenação dos padres Ângelo Manuel Pereira da Silva (13-7), António Manuel Torrão da Cruz (13-7), Manuel Dinis Marques Tavares (8-12) e Pedro José Lopes Correia (13-7). Também agradecemos a vida e obra do P. Júlio Franclim do Couto e Pacheco, que nos deixou tão inesperadamente (18-1), e do diácono Joaquim Marques Pereira (6-5-2021), a quem entregamos nas mãos de Deus.

O nosso ministério é sempre para a edificação da Igreja, corpo de Cristo, a fim de que a mensagem do Evangelho chegue aos confins do mundo e as nações, congregadas em Cristo, formem o povo santo de Deus. Se queremos ser fiéis ao dom e ao mistério da nossa própria vocação, a nossa missão realiza-se verdadeiramente por Ele, com Ele e n´Ele.

2. A caminhada sinodal

Na próxima semana iniciamos as assembleias sinodais em todos os arciprestados, culminando na tarde do dia 15 de maio com a assembleia diocesana. A caminhada sinodal é um profundo convite à conversão pessoal, pastoral e eclesial, diante da constatação de que os objetivos da evangelização não estão a ser plenamente atingidos. Da sinodalidade depende o futuro da Igreja e o remédio para muitas patologias que hoje emergem dolorosas e devastadoras. Ela, que é uma dimensão constitutiva da Igreja, está ao seu serviço e todos os seus membros são chamados a participar; todos estão qualificados com a dignidade da função profética de Jesus Cristo (cf. LG 34-35), de modo a poderem discernir quais são os caminhos do Evangelho no presente, sem deixar ninguém para trás.

O cristão tem sempre necessidade de conversão. Na nossa caminhada pela vida, fazemos frequentemente a experiência do desencanto, do desalento, do desânimo… Por vezes, parece que nada faz sentido e que Deus desapareceu do nosso horizonte, no entanto, temos a garantia que Jesus, vivo e ressuscitado, caminha ao nosso lado. Neste caminho, Ele precede-nos. A palavra segue-me! continua a ressoar no coração de cada um de nós. Ele é o companheiro de viagem que encontra formas de vir ao nosso encontro, mesmo se nem sempre somos capazes de o reconhecer e de encher o nosso coração de esperança. Tendo e alimentando os mesmos sentimentos de Cristo Jesus (cf. Flp 2,5), é preciso, cada dia, aprender a escutar e a saborear o chamamento que continua a fazer-nos.

3. A conversão e o discernimento pastoral

A conversão pastoral é o caminho de renovação da Igreja, de mudança estrutural e metodológica. É a abertura do ser humano em direção ao mistério de Deus autocomunicado através do mistério do Verbo encarnado, que é a plena realização da resposta humana em liberdade, obediência e doação.

Como apresentar, na atualidade, uma cristologia da kénosis, da gratuidade, do pastor em busca da ovelha perdida?

«Há que deixar de pensar na reforma da Igreja como remendo dum vestido velho ou mera redação duma nova constituição apostólica. A reforma da Igreja é outra coisa. Não se trata de “remendar uma peça de vestuário”, porque a Igreja não é simples “vestido” de Cristo, mas o seu Corpo que abraça a história inteira (cf.1Cor 12, 27). “Trazemos este tesouro em vasos de barro, para que se veja que este extraordinário poder é de Deus e não é nosso” (2 Co 4, 7). A Igreja é sempre um vaso de barro, precioso pelo que contém e não pelo que às vezes mostra de si mesma» (Papa Francisco).

O discernimento é um dom e enquanto obediência ao Espírito é, sobretudo, escuta, capaz de se deixar mudar por aquilo que nos toca o coração. A escuta na Igreja deve ser recíproca: cada um escuta o outro e todos juntos comprometem-se a escutar o que o Espírito de Deus tem para nos dizer.

É necessário, portanto, abrir o coração às sugestões interiores do Espírito, que convida a ler em profundidade os desígnios da Providência. O processo passa por aprender a reconhecer a ‘voz de Deus’ dentro de nós. Como pastores, temos de aprender do verdadeiro Pastor a capacidade de escuta e de disponibilidade para promover a corresponsabilidade e a participação efetiva de todos os fiéis na vida das comunidades cristãs.

Peço a todos que façamos nossas as palavras da oração para a caminhada sinodal: «Só a Vós temos por guia: vinde a nós, ficai connosco, e dignai-vos habitar em nossos corações. Ensinai-nos o rumo a seguir e como caminhar juntos até à meta. Amen.»

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Aveiro, 14 de abril de 2022

António Manuel Moiteiro Ramos, Bispo de Aveiro


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