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Nota Pastoral – Uma aventura de amor pela Igreja

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Nota Pastoral

Uma aventura de amor pela Igreja

A Casa Sacerdotal de Aveiro está construída. Construiu-a a bênção de Deus, desde sempre implorada e diariamente sentida. Edificou-a a decisão nunca abandonada do bispo e do presbitério diocesano de erguer um Santuário de Gratidão, dedicado aos sacerdotes e a quantos generosamente os acompanharam ao longo da vida.

A Casa Sacerdotal deve-se, a exemplo de todas as outras que a Diocese edificou, à generosidade de diocesanos de Aveiro, bispos, presbíteros, diáconos, consagrados e leigos.

A convicção firme de que o Seminário é o coração da Diocese e de que a partir deste único e vivo coração se deve irrigar a vida toda dos sacerdotes, em todo o tempo e circunstâncias, é o alicerce sólido desta Casa Sacerdotal.

Ao anunciar a sua bênção e inauguração, sinto que esta é uma hora jubilar de acção de graças a Deus e a Aveiro. “Vive esta hora!” como lema da nossa Missão Jubilar, ao celebrarmos setenta e cinco anos da restauração da nossa Diocese, e como missão cumprida desta Igreja de Aveiro ao erguer este Santuário de Gratidão.

À medida que a Casa Sacerdotal ia ganhando forma no coração dos sacerdotes, seus principais destinatários e seus primeiros construtores, fui reler de novo, e sempre com sabor e proveito, o livro «A alma e a pena do Arcebispo», em que Monsenhor João Gaspar, Vigário Geral da nossa Diocese, reuniu alguns dos mais belos textos que, durante dezanove anos, o nosso primeiro bispo, D. João Evangelista de Lima Vidal, escreveu sobre o Seminário.

Mesmo assim, depois de tanto escrever sobre o Seminário, D. João Evangelista tem consciência de que não disse tudo e por isso adverte: “Muitas coisas, quando se fizer a história do Seminário, se as quiserem saber, têm que ir à minha campa e perguntar por elas às cinzas que ainda por lá estiverem”.

Também nesse livro vi que alguém dizia do nosso primeiro bispo: “Lia-o, a ouvi-lo. Como se a mim se dirigisse pessoalmente. Lia-o, e encantava-me, e ficava mais lavado e contente comigo. Era lustral a sua prosa, quanto era purificadora a sua palavra. Este bispo deu-me lições inestimáveis”.

Não tive a graça de conhecer e de ouvir D. João Evangelista. Mas reencontro-me com ele diariamente na oração e na gratidão. Ao ler o que escreveu, sei que estou a ouvi-lo. Ao habitar a casa que era sua, e fez casa de todos os seus sucessores, agradeço-lhe o que por nós e para nós construiu. Ao vê-lo deslumbrar-se diante do Seminário, que guarda para sempre o seu último olhar, no dizer do seu biógrafo, sinto que a Casa Sacerdotal guardará para sempre o olhar do meu coração dado à Igreja de Aveiro.

O Seminário assim sonhado por D. João Evangelista e pelos sacerdotes do seu tempo e por ele anunciado à Diocese, em Carta Pastoral de 27 de Dezembro de 1938, abriu as suas portas a 14 de Novembro de 1951. Em 11 de Dezembro de 1952, com o Seminário já quase construído, diz-nos numa bela Exortação Pastoral que “o Seminário é uma linda história de amor”.

São estes mesmos sentimentos que agora quero partilhar convosco, amados diocesanos de Aveiro. A Casa Sacerdotal, erguida bem pertinho do Seminário e propriedade deste, é aventura de amor pela Igreja. Nem outra coisa se pode esperar da Igreja e dos que a servem, que não seja o amor a Deus feito serviço àqueles a quem Deus ama.

E entre aqueles que Deus ama e que a Deus servem na doação plena, fiel e feliz das suas vidas estão os sacerdotes. É para eles, os de hoje e os de sempre, que esta Casa Sacerdotal agora nasce.

Entrego-vos esta Casa, irmãos sacerdotes de Aveiro. Habitai-a: ela é vossa. Amai-a: ela é dom de Deus e fruto da generosidade cristã.

A gratidão está inscrita no seu código genético, na sua matriz original e no seu destino permanente.

A Casa Sacerdotal é gratidão dos vossos bispos. O que seria o nosso ministério de bispos sem vós, irmãos sacerdotes? Alguns dos sacerdotes que, desde o primeiro dia do meu ministério, em Aveiro, me pediram esta Casa já partiram ao encontro de Deus. Eles são, certamente, os primeiros, não a habitar a Casa que desejaram, mas sim a abençoar a Casa que sonharam.

A Casa Sacerdotal é gratidão do Povo de Deus aos sacerdotes, que por eles oferecem a vida, até ao limite das forças humanas. O que seria do Povo de Deus sem a vida, presença, oração, testemunho e ministério dos sacerdotes?

Vamos inaugurar a Casa Sacerdotal no próximo dia 7 de Junho, na Solenidade do Sagrado Coração de Jesus e Dia de oração pela santificação dos sacerdotes. Também o Seminário foi dedicado ao Sagrado Coração de Jesus por D. João Evangelista. Este vínculo permanente e indelével entre o Seminário e a Casa Sacerdotal passa necessariamente pelo Coração de Cristo, o Bom Pastor.

O dia 7 de Junho é dia de semana e compreendemos que muitas pessoas não possam estar livres, nesse dia, para participar na bênção e inauguração. Conscientes disso, vamos fazer da tarde do domingo, 16 de Junho, um Dia Aberto, para permitir a visita da Casa Sacerdotal a todas as pessoas que o desejem fazer. Será essa também uma forma de agradecer a generosidade de amigos e beneméritos, sem os quais este sonho não se teria cumprido.

Casa Sacerdotal construída não significa Casa Sacerdotal já paga. É muito ainda o que devemos para saldar empréstimos contraídos. Embora todos estes empréstimos sejam sem juros, o que revela muita generosidade de quem nos ajuda e também assim edifica e constrói, exigem que sejam saldados.

Sei que a compreensão humana pelas grandes causas do bem e a generosidade cristã pelas obras de Deus nunca se esgotam. Continuamos a contar com todos e a precisar de todos.

No coração de Deus encontraremos a merecida e a melhor recompensa, espelhada na vida digna dos sacerdotes e pessoas a eles dedicadas que, na Casa Sacerdotal tenham a sua própria casa e aí reencontrem a sua família de vida, de vocação e de ministério.

A Casa Sacerdotal de Aveiro é tesouro sagrado da Diocese e é património abençoado do Seminário. Dedicamo-la a Santa Joana como lhe estão igualmente já confiados o Seminário e a Diocese.

A exemplo de Santa Joana, nossa Padroeira, descobriremos sempre que «amar a Deus é servir» e com ela aprenderemos diariamente quanto vale para Aveiro, Cidade e Diocese, mais esta aventura de amor pela Igreja.

Aveiro, 26 de Maio de 2013

António Francisco dos Santos, bispo de Aveiro

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