Pages Navigation Menu

Casa Sacerdotal – Nota Pastoral Novembro de 2013

Untitled-1

Casa Sacerdotal

Jesus é o centro dos nossos desejos de alegria

1.O Papa Francisco na homilia da solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo, ao concluir o Ano da Fé, lembrou-nos que Jesus é o “centro dos nossos desejos de alegria” e é o “irmão à volta do qual se reúne a família e se constitui o povo”.

Inspiro-me nesta palavra do Papa Francisco para partilhar com a Diocese e com tantos amigos e benfeitores as mais recentes informações sobre a Casa Sacerdotal de Santa Joana Princesa.

Inaugurada no passado dia 7 de Junho, no dia da solenidade litúrgica do Sagrado Coração de Jesus, a Casa Sacerdotal abriu as suas portas aos primeiros residentes no mês de Setembro passado. Demos graças a Deus por isso.

No passado dia 18 deste mês de Novembro celebramos a dedicação da Capela, para que ela seja o coração vivo da Casa Sacerdotal. Quisemos reunir naquela celebração, à volta do altar dedicado a Deus e preparado para a Eucaristia, os sacerdotes residentes e sentir o presbitério diocesano na presença de vários sacerdotes, entre eles os três novos sacerdotes, ordenados no dia anterior numa bela e participada celebração, de que a Igreja de Aveiro guardará memória abençoada para sempre.

Ali estiveram também os seminaristas que nos fazem olhar o futuro com confiança e nos dizem que esta Casa é, também, sua. Ali rezaram connosco as Irmãs do Amor de Deus da Comunidade do Seminário assim como os funcionários e colaboradores que nos ajudam no trabalho e são membros por inteiro da família que queremos ali sentir.

A capela da Casa Sacerdotal, a que chamaremos Capela do Lava-Pés, reconduz-nos ao ambiente bíblico e sagrado da Eucaristia no Cenáculo e aproxima-nos do gesto de Jesus que se dispôs a lavar os pés aos discípulos. Esta é, também a vocação da Casa Sacerdotal.

Ajoelharemos ali, a partir de agora, diante do Senhor Jesus da Eucaristia e lavaremos os pés dos seus discípulos, cuidando com a necessária atenção e permanente dedicação dos sacerdotes da Igreja de Aveiro e das pessoas que dedicadamente os acompanharam durante a vida.

2.Há momentos que nos abrem horizontes maiores e nos ajudam a compreender o alcance e o horizonte das intuições que Deus inspira. Uma Casa Sacerdotal é «santuário de gratidão» não só pelo bem que faz mas também porque nos vai acordando o coração para que os sentimentos de gratidão pelos sacerdotes se traduzam em palavras e gestos verdadeiramente humanos e fraternos.

Permito-me trazer aqui um belo momento vivido no sábado passado. Os nomes são reais e as pessoas são concretas. Quero dar graças a Deus pelo bem que Ele realiza no coração dos irmãos e irmãs, simples, felizes e bons, como nos lembram as bem-aventuranças do evangelho.

A Comunidade cristã de Aguada de Cima quis celebrar a alegria e a bênção de ver um dos seus filhos, recém-ordenado presbítero, celebrar pela primeira vez na sua igreja matriz. Ali se reuniu toda a Comunidade para celebrar a Eucaristia com o Padre Leonel e continuar em convívio feliz e prolongado com a sua família e o seu pároco.

Foi esta mesma Comunidade que chamou a partilhar da alegria daquela hora a irmã de um anterior sacerdote, também ele natural daquela Comunidade, o Padre Alexandre Soares de Almeida, ordenado presbítero em 1932. Por feliz coincidência, esta irmã do Padre Alexandre, a D. Marquitas, assim Aguada de Cima trata carinhosamente a D. Maria de Jesus Soares de Almeida, celebrava naquele dia 95 anos, muito vivos, activos e lúcidos. A D. Marquitas deixara Aguada de Cima em 1932, com catorze anos apenas, para acompanhar o seu irmão sacerdote recém-ordenado. Partira com ele para terras de Coimbra, a diocese a que Aguada de Cima pertencia naquele tempo.

Acompanhou o seu irmão sacerdote e com ele permaneceu sempre até à sua morte, em 1967, quando era pároco de Soure. Nesse momento regressou à sua terra natal e ali continuou, a partir daí, a servir a Igreja, confeccionando diariamente o pão da Eucaristia, e cuidando de nós sacerdotes com o seu carinho, testemunho e oração que a leva agora a dizer com autoridade e verdade: “nunca esqueci, senhor bispo, que sou irmã de sacerdote. E ouvi, continua a D. Marquitas, o senhor D. Manuel de Almeida Trindade dizer que foi o meu irmão, que era muito alegre e muito amigo do seu tio Padre, que lhe despertou o desejo de ser Padre”.

Agradeci-lhe esta bela confidência e este exemplar testemunho e guardarei para sempre na minha alma o brilho lindo daquele olhar que espelhava uma vida dada por inteiro a Deus e à Igreja.

Quero sublinhar a beleza deste gesto de alegria, homenagem e gratidão de uma Comunidade feliz que soube associar à ordenação presbiteral de um dos seus filhos mais jovens o reconhecimento à irmã de outro sacerdote, também ele ali recordado, apesar de ter partido ao encontro de Deus há já quarenta e seis anos.

A Casa Sacerdotal nasceu, também, para ser santuário de gratidão a pessoas como a D. Marquitas. A Casa Sacerdotal é sua também.

3. Casa construída e casa habitada não significam que os nossos compromissos financeiros assumidos para a construção estejam saldados e as nossas responsabilidades diante da sua sustentabilidade e do seu funcionamento estejam asseguradas. Estamos muito longe disso. E com o tempo que passa mais nos preocupa a urgência de cumprirmos atempadamente o pagamento dos empréstimos que contraímos perante pessoas e instituições.

Continuo, por isso, a apelar, com insistência, à generosidade das paróquias, das irmandades e confrarias da nossa Diocese e a todas as instituições e pessoas de boa vontade.

Os gestos significativos e tantas vezes discretos da generosidade dizem-nos que devemos continuar a confiar. Deus acompanha-nos com a sua bênção.

A generosidade cristã surpreende-nos sempre. Temos razões para continuar a “viver esta hora!” confiando no olhar generoso do coração de tanta gente habitada pelos critérios evangélicos das bem-aventuranças. Esta Casa Sacerdotal constitui um belo marco jubilar para a nossa Diocese a viver este “ bom e belo caminho”, no dizer do Papa Francisco, que a Missão Jubilar nos ensinou a percorrer.

A Casa Sacerdotal sonhada e construída para ser santuário de gratidão ampliou desde o passado dia 18, dia da dedicação do altar e da bênção da capela, o seu coração para envolver de graça e de gratidão a Igreja de Aveiro e de saúde e de bênção quantos ali vivem e trabalham.

A Casa Sacerdotal é, igualmente, a partir de agora, lugar onde diariamente se reza por quantos com a sua generosidade, afecto e dedicação a edificam e assim se tornam nossos benfeitores e beneméritos.

Aveiro, 25 de Novembro de 2013

António Francisco dos Santos, bispo de Aveiro

Leave a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

  • Facebook
  • Google+
  • Twitter
  • YouTube