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COM JESUS RESSUSCITADO, VENCER AS SITUAÇÕES DE MORTE

DOMINGO DA PÁSCOA

COM JESUS RESSUSCITADO, VENCER AS SITUAÇÕES DE MORTE

Georgino Rocha

     A manhã de Páscoa desperta serena com Madalena agitada a correr para o túmulo de Jesus. Era ainda escuro. Mas já raiava o clarão da aurora que se avizinha. Corre para sintonizar com o ritmo do seu coração, com o desejo de prestar os últimos cuidados ao cadáver de Jesus, com a vontade de certificar mais uma vez o sucedido, com o “pressentimento” de que algo de novo pode acontecer, pois o amor é mais forte do que a morte. A saudade revela-se um bom caminho para o encontro da verdade. Jo 20, 1-9.

Chegada ao local, depara-se com o sepulcro vazio e tudo arrumado “a preceito”. Pelo seu espírito perpassa a certeza afirmada: Levaram o Senhor e não sabemos onde O puseram, certeza que transmite a Simão Pedro e ao discípulo amado. Estes partem imediatamente para confirmar a notícia, seguindo cada um a cadência do seu passo. Chegam, aproximam-se, observam, entram no sepulcro e vêem que a realidade condizia com o que lhes havia dito Maria Madalena.

Manicardi, no seu comentário a este episódio, afirma: “O ato de entrar no sepulcro por parte de Pedro, e depois do discípulo amado tem um valor simbólico. Nós entramos durante a nossa vida em inúmeros lugares de morte (perdas, separações, abandonos, fim de relações e de amizades, incomunicabilidade) e deixamos igualmente entrar a morte em nós, tornando-nos um lugar de morte para os outros (fechamento egoísta, arrogância, abuso, violência, manipulações, indiferença) … E adianta em jeito de conclusão: A fé na ressurreição, que está no cerne da fé cristã… permite entrar nas situações de morte, olhando para além da morte… procurando amar como Jesus amou e, sobretudo, crendo no seu amor por nós”.

Este núcleo central da narrativa da ressurreição é enriquecido pelos Evangelhos com muitos outros aspectos, surgindo sempre o testemunho de quem O vê e a novidade que provoca na sua vida. Madalena é protagonista de um grupo de mulheres que se adiantam na descoberta dos sinais do Ressuscitado. São elas que levam aos apóstolos o anúncio da feliz notícia. São elas que fazem da inquietação do coração caminho de fé pascal. São elas que experimentam a desolação do vazio como espaço a preencher, oportunidade de plenitude a alcançar. Que bela mensagem e que interpelação! O rosto feminino da Páscoa – de todas as passagens marcantes da vida – fica impresso definitivamente na humanidade e na vivência cristã.

João – o discípulo amado – viu e acreditou. Que preciosa e provocante afirmação! Então até agora não tinham ainda acreditado, não haviam alcançado a fé, não estavam em comunhão com Jesus ressuscitado? O autor da narração adianta a explicação assertiva: “Não tinham entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos”. Esta explicação tem valor definitivo. Sem fé explícita em Jesus ressuscitado, apenas vemos sinais, ritos, cerimónias, gestos religiosos, liturgias; e é preciso passar do visível ao Invisível, da aparência à realidade, do episódio ao constante, da árvore vistosa à seiva vitalizante que, constantemente, a revigora, da fome do coração vazio à busca do pão saboroso que sacia.

A Páscoa de Jesus, afirma o bispo de Aveiro, é uma ocasião propícia para pensarmos a sociedade e a nossa vida cristã de uma forma diferente. Temos de ser protagonistas de uma economia ao serviço de todas as pessoas. Empenharmo-nos numa nova cultura ecológica e, se alguma lição tem a tirar desta pandemia, serão o respeito e a defesa da vida em todas as idades, sobretudo dos mais frágeis. Como cristãos, precisamos de ir ao essencial do Evangelho, despindo-nos de tantas roupagens que escondem, por vezes, a novidade do ser cristão. E D. António Moiteiro termina a sua mensagem pascal desejando “a todos uma santa Páscoa e que Jesus ressuscitado nos dê esperança, força e confiança num futuro melhor que todos queremos construir”.


 

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