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XXVI Domingo do Tempo Comum – Ano A

Breve comentário

O texto deste domingo é a continuação do diálogo-confronto entre Jesus e os sumos-sacerdotes e anciãos do povo que o interrogam acerca da sua autoridade para ensinar no Templo, após a sua entrada triunfal em Jerusalém e a poucos dias da sua morte. Verificamos uma tensão crescente nos diálogos que Jesus vai tendo com os diversos grupos.

Jesus não responde directamente, mas lança-lhes um repto, interrogando-os acerca da autoridade da pregação e baptismo de João: vinha do céu ou dos homens? Se veio do céu – pensam os seus interlocutores – ele irá perguntar-nos: porque não lhe destes crédito? Se dissermos que é dos homens, temos todo o povo contra nós pois consideram João como um profeta. «Não sabemos», foi a resposta. «Também não vos digo com que autoridade faço isto» – responde Jesus.

Com a história dos dois filhos que respondem de modo diferente à vontade do pai, Jesus faz com que os seus interlocutores entrem na lógica da sua escolha preferencial pelos pecadores, representados pelo primeiro filho, inicialmente longe da vontade da vontade do Pai, mas que acabam por cumprir a vontade de Deus ao converterem-se. O segundo filho representa o grupo dos judeus observantes que respondem imediatamente: «Eu (vou), Senhor!», numa resposta formalista que, de facto, não está de acordo com a vontade de Deus.

A segunda parte do texto tira as consequências desta parábola e toma como ponto de referência, uma vez mais, a pregação e a actividade penitencial de João Baptista, que veio no caminho da justiça. Sabemos que, no evangelho de Mateus de modo particular, o termo «justiça» tem o significado de «vontade de Deus».

Muita gente, considerada pecadora perante a lei judaica, tal como os publicanos, a que se juntam também as prostitutas, ouvindo a pregação de João, foi capaz de mudar de vida, arrependendo-se da sua conduta. Porém, os judeus observantes e as autoridades religiosas não só não foram capazes de reconhecer o significado religioso da missão de João como se mantiveram longe daquele movimento de conversão. Tendo isto em conta, percebemos bem a afirmação dura de Jesus: «Os publicanos e as prostitutas vão preceder-vos no Reino de Deus».

É natural que Mateus, ao apresentar esta parábola aos seus leitores, esteja a pensar na realidade da recusa do Evangelho por parte dos judeus e na aceitação por parte dos pagãos e ainda a alertar alguns membros da comunidade que se contentam com uma declaração formal da sua fé que não encontra eco nas suas vidas. Continua, assim, a lembrar aos cristãos que «nem todo o que me diz: ‘Senhor, Senhor’ entrará no Reino do Céu, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus (Mt 7,21) e que a nova família de Jesus, isto é, os verdadeiros membros da comunidade são aqueles que fazem a vontade do Pai que está nos céus (Mt 12,50).

P. Franclim Pacheco

Diocese de Aveiro


 

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