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IV Domingo da Páscoa – Ano B

Breve comentário

            O IV Domingo da Páscoa apresenta-nos o texto do Bom Pastor, que lemos em S. João. É evidente a ligação com o c. 10, onde sob a alegoria do Pastor e da Porta se fala do único mediador que Deus enviou para salvar o seu povo, mediador que oferece a sua vida.  A alegoria do pastor e do rebanho tem como pano de fundo o momento que Jesus está a viver, juntamente com os seus discípulos: a Última Ceia na véspera da sua morte: «Sabendo Jesus que tinha chegado a sua hora de partir deste mundo… tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim» (Jo 13,1).

Há uma ligação profunda deste texto com o cap. 34 de Ezequiel, que apresenta as imagens do «Bom Pastor» e do «rebanho». Os chefes do povo (rei, dirigentes, sacerdotes, etc.) de Israel foram, ao longo da história, «maus pastores» porque não ensinaram o povo e, em vez de o conduzirem para Deus e para a vida, guiaram-no para outros deuses e para caminhos de morte e de desgraça; por isso, o próprio Deus irá conduzir o seu povo e pôr à sua frente um «Bom Pastor».

A acusação, feita no passado pelo profeta Ezequiel, é agora atualizada por Jesus em relação aos maus «pastores» do seu tempo e de todos os tempos, a quem ele chama «mercenários». O verdadeiro pastor, diz Jesus, é aquele que se interessa unicamente em fazer com que as ovelhas tenham vida, estando disposto a dar a própria vida por essas ovelhas que ama.

Jesus começa por afirmar que é o Bom Pastor, ou melhor, segundo o original grego, o Belo Pastor. O termo «belo» (kalos em grego) não se refere ao seu aspeto, mas à sua missão e às suas obras, e poderia ser traduzido por perfeito e verdadeiro. E é especificado de que modo é o Bom Pastor: ele dá a sua vida pelas ovelhas.

A ideia é reforçada pela comparação com o «mercenário». O Bom Pastor não busca o interesse económico, mas tem com as ovelhas uma relação de amor e de fé, sacrificando a sua vida pelo bem das ovelhas. A mensagem é dirigida a quantos na igreja primitiva e de sempre têm o papel de pastores: também eles deverão ser animados por estes mesmos sentimentos.

            A segunda parte do texto salienta outro aspeto: o do conhecimento, outro tema também tirado do Antigo Testamento (ver Os 6,6; Am 3,2; Jr 22,16; Sl 139,1-6) que usa o verbo «conhecer» como um conhecimento existencial em que toda a pessoa e a sua experiência concreta está envolvida.

O tema do conhecimento entre Jesus e os seus tem como referência e matriz o conhecimento entre o Pai e o Filho, um conhecimento real e intenso a partir do amor. Um amor que se alarga para além dos confins de Israel, para além dos confins da igreja primitiva de Jerusalém e chega a todos os homens e mulheres, as «ovelhas que não são deste redil».

            Por fim, a terceira parte do texto retoma o tema de dar a vida, com um novo elemento: a relação entre Jesus e o Pai está ligada a este dom de si que é também o seu mandamento. O amor do Pai pelo Filho e pelo mundo e o amor do Filho pelo Pai e pelo mundo manifesta-se na obediência até à morte de cruz, onde se doa completamente e livremente para dar nos dar a vida em abundância e a que o Pai responde com a ressurreição.

Nenhum pastor é obrigado a dar a vida pelas ovelhas, mesmo que sejam suas. Jesus oferece voluntariamente a sua vida pelos seus, numa atitude de cumprimento assumido e amoroso da vontade do Pai que, por isso mesmo, o ama. É o Bom Pastor que dá a sua vida pelas ovelhas.

 

P. Franclim Pacheco

Diocese de Aveiro


 

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