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V Domingo da Páscoa – Ano B

Breve comentário

Jesus já tinha garantido aos seus discípulos que iria partir, mas que voltaria a eles, numa presença que agora é apresentada na alegoria da videira e dos ramos, insistindo na ideia de permanecer n’Ele como fonte de vida.

O cenário do texto evangélico de hoje é a Festa da Páscoa (desde João 13,1-2), da vida nova dada, da passagem de Jesus deste mundo para o Pai, do vinho novo do Reino a chegar. Daí, a apresentação do tema «a videira, a verdadeira», que é Jesus. O autor acentua bem, que só existe uma videira verdadeira, colocando o artigo: «a videira, a verdadeira».

«Eu sou a videira…». Depois de no passado domingo termos lido ou ouvido a expressão «Eu sou o Bom Pastor…», hoje temos mais um texto em que nos aparece a expressão «Eu sou…» que o Senhor nos dirige para se revelar a Si mesmo. É interessante percorrer um caminho ao longo de toda a Escritura a procurar e analisar textos como este, em que a voz do Senhor nos fala directamente de Si, da sua essência mais profunda. Quando o Senhor diz e repete de mil maneiras «Eu sou», não o faz para nos humilhar ou diminuir, mas somente para nos fazer participantes e vivos da própria vida que a Ele pertence. Se diz «Eu sou», é para dizer «Tu és» e dizê-lo a cada um de nós, a todos e a cada um dos seus filhos. É uma transmissão fecunda e ininterrupta de ser, de essência que não se deve deixar cair no vazio, mas cada sim recolhê-la dentro de si mesmo.

Usando a técnica da repetição das palavras articuladas entre si («permanecer» – 7 x; «em mim» – 6 x; «dar fruto» – 6 x; «ramo» – 4 x; «videira» – 3 x), o autor apresenta-nos a vida verdadeira, a comunhão que, do Pai, mediante o Filho, no Espírito, vem até nós e nos é oferecida.

Todo o judeu conhecia bem a videira que procurava ter junto de casa, dedicando-lhe sempre muito cuidado, para ter sombra e poder usufruir do seu fruto. Por isso mesmo, a videira foi sempre olhada como um símbolo do povo de Israel (Is 5; Jr 2,21) que, com todos os cuidados de Deus, devia dar frutos bons mas só produziu uvas azedas, tornando-se desta forma inútil. Agora dá-se uma mudança. A videira já não é símbolo de Israel, mas do próprio Jesus para reafirmar a união íntima entre Ele e os seus discípulos.

A ligação entre Jesus e os discípulos, os crentes, indicada com a videira e os ramos sublinha a intensidade da relação; o princípio fundamental da vida cristã é partilhar a própria vida de Jesus, permanecendo unidos a Ele, a videira verdadeira. A autenticidade desta vida em Cristo é garantida pela acção do Pai que corta e poda: operações dolorosas, mas necessárias para garantir e favorecer a vida. A fé e o amor com que permanecemos em Cristo têm na origem a acção do Pai. De facto, o v. 3 especifica que é a Palavra (de Jesus e das Escrituras) que nos torna puros. O crente, na escuta fiel e obediente da Palavra, purifica-se e torna-se cada vez mais ramo da videira/Cristo. Desta forma, unido a Cristo, o crente participa da vida autêntica de Deus.

Tal como a videira não produz frutos para si mesma, mas para outros, também só será verdadeiro discípulo de Jesus aquele que, pela sua vida, realiza acções que manifestem a glória do Pai, isto é, o Seu amor que se dá gratuitamente. Uma consequência benéfica do permanecer em Jesus é a escuta das orações dos discípulos por parte do Pai.

P. Franclim Pacheco

Diocese de Aveiro


 

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