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VI Domingo da Páscoa – Ano B

Breve comentário

O texto de hoje continua a ter como pano de fundo o discurso de adeus de Jesus durante a Última Ceia, seguindo-se imediatamente ao texto do domingo passado, pelo que estão intimamente ligados um ao outro. O mandamento do amor, vincado nesta secção das palavras de Jesus durante a Última Ceia, surge como a consequência dum movimento de amor que parte do Pai e encontra correspondência no Filho. O Pai tomou a iniciativa neste movimento de amor enviando o seu Filho. O Filho aceita e traz esta corrente de amor aos homens. Só desta forma pode começar o percurso inverso. Do homem a Cristo e de Cristo ao Pai.

O Pai é o autor principal: é do seu amor por Jesus, o Filho, que provém o amor deste pelos seus discípulos. Das 117 vezes que aparece ágapê (= amor) no NT, no evangelho de João ocorre 60 vezes como verbo (amar) e 30 como substantivo (amor). Também temos em grego a palavra philia que é o amor de amizade, entre amigos do mesmo nível. Em relação a Deus, tanto a amizade como a ternura filial, são designadas pela palavra ágapê. É precisamente com esta palavra que João afirma a essência de Deus: Deus é Amor (1Jo 4,8) e também é definido o amor de Jesus pelos seus discípulos:  «Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim» (Jo 13,1).

Jesus escolheu os discípulos por amor, tal como o Pai escolheu Jesus, o Filho, e o distinguiu de todos os outros homens. Igualmente Jesus escolheu os discípulos e distinguiu-os de modo especial e quer que eles permaneçam nesse amor preferencial para com os escolhidos.

A obediência à vontade de Deus revelada por Jesus é sinal e condição do nosso «permanecer no seu amor». Os mandamentos que os discípulos devem observar compendiam-se naquele que Jesus chama seu mandamento: «Amai-vos uns aos outros». O amor é apresentado com uma nota de reciprocidade («uns aos outros»), não porque exclua o amor aos inimigos, mas porque este amor recíproco está numa relação muito particular com o amor que existe entre as pessoas divinas.

Não é um amor qualquer, mas um amor que deve ter a medida do amor de Jesus: «como eu vos amei». isto não significa somente que devemos imitar Jesus, supremo modelo de amor. Mas o «como» tem também um sentido causal: porque eu vos amei.

A prova suprema do amor está em dar a vida pelos amigos. O que surpreende é o facto de Jesus chamar aos crentes seus amigos, pois a amizade implica uma igualdade, um colocar-se no mesmo plano. Tudo isto porque Jesus ama e toma a iniciativa neste amor e na amizade para com os seus. Jesus escolhe os discípulos como amigos, seus confidentes do projecto do Pai, para continuarem a sua missão e o projecto de amor do Pai para este mundo.

P. Franclim Pacheco

Diocese de Aveiro


 

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