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Ascensão do Senhor – Ano B

Breve comentário

O texto começa por apresentar o envio dos discípulos, com um firme «Ide», insistindo que o Evangelho, fonte de salvação para os que creem, não é apenas para alguns, mas para todos («toda a criatura») e em toda a parte («por todo o mundo»). A reação ao anúncio, fé ou incredulidade, têm como correspondentes a salvação ou a condenação (cf. Jo 3,18).

Os sinais devem ser lidos à luz do simbolismo bíblico apresentado pelos profetas que se realizam na pessoa e ação de Jesus e agora continuam através dos seus discípulos. Antes de elencar os sinais, Marcos sublinha: «àqueles que acreditarem». Não é o sinal em si que garante a autenticidade do anúncio, mas a fé como adesão à pessoa de Jesus e ao seu evangelho, manifestada no batismo como dom de salvação: «Quem acreditar e for batizado será salvo». O anúncio do evangelho é essencialmente transmissão da fé pela Palavra que, por sua vez, não é simples proclamação verbal, mas uma experiência de encontro com o Senhor, que chama à conversão.

            «Expulsarão demónios»: mais do que espetáculos de exorcismos, este sinal indica que a missão tem uma autoridade que não vem dos homens, mas de Deus. O primeiro sinal que Jesus realizou no evangelho de Marcos foi justamente expulsar um espírito impuro (Mc 1,21-28). No fundo, é continuar a atividade de Jesus na sua luta contra o mal.

«Falarão novas línguas»: a língua é mais do que um instrumento de transmissão de ideias ou conceitos teóricos, mas comunica valores, por isso, a encarnação do Evangelho exige falar novas línguas, disponibilidade para mergulhar na cultura dos destinatários da Boa Nova. Jesus também ultrapassou as fronteiras culturais e geográficas. Ele mesmo percorreu territórios pagãos (Mc 5,1s; 7,24).

«Apanharão serpentes com as mãos e, se beberem algum veneno mortal, não sofrerão nenhum mal»: um povo que convive com a necessidade de atravessar desertos, sabe muito bem que um dos grandes perigos é ser surpreendido por serpentes, pois elas são traiçoeiras, têm agilidade e subtileza, e geralmente atacam à traição. Por isso, a serpente tornou-se um símbolo da sedução, da traição, da falsidade. Esta advertência de Jesus garante aos seus enviados que se eles estiverem alicerçados na verdadeira fé, não se deixarão confundir nem persuadir por falsos profetas, inclusive da própria comunidade.

            «Imporão as mãos sobre os doentes e estes ficarão curados»: este sinal também acompanha a pregação de Jesus. Indica que, de facto, a Boa notícia chegou aos seus primeiros destinatários, isto é, os sofredores, doentes, marginalizados. Marcos no início do evangelho afirma que muitos enfermos eram trazidos a Jesus para que lhes impusesse as mãos (1,32; 6,5).

A ascensão de Jesus, narrada como no livro dos Atos (1,9 e Lc 24,51), tem como fundo a imagem bíblica do mundo e uma referência à subida ao céu de Elias (2Rs 2,11; 1Mc 2,58). É dado a Jesus o título Kyrios (= Senhor); a expressão «Senhor Jesus» nos evangelhos está presente apenas neste texto, mas é típica de S. Paulo e dos Atos. Também a indicação «sentou-se à direita de Deus (com referência ao Salmo 110,1), trata-se dum modo de descrever os acontecimentos que faz supor que o autor já coloque aqui um texto em uso na primeira comunidade para professar a fé na glorificação e entronização do Ressuscitado.

De agora em diante será a Escritura e o testemunho dos cristãos a tornar presente Cristo sobre a terra. Os apóstolos têm a certeza de não estarem sozinhos na missão que lhes foi confiada: o Senhor age com eles e por meio deles.

 

P. Franclim Pacheco

Diocese de Aveiro


 

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