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X Domingo do Tempo Comum – Ano B

Breve comentário

Quando Jesus começou o seu ministério, as multidões reagiram de maneira muito positiva, mas bem cedo começa a experimentar a oposição dos escribas e fariseus que chegam a conspirar com os herodianos sobre o modo de eliminar Jesus (Mc 3,6). No texto deste domingo Marcos apresenta-nos a opinião dos familiares e a dos escribas acerca da acção de Jesus. O texto termina com a apresentação da nova família de Jesus.

A actividade de Jesus e dos seus discípulos é tão intensa que nem conseguem alimentar-se. Todo este movimento de multidões em torno de Jesus provoca reacções e boatos que chegam longe, aos ouvidos dos familiares. «Está fora de si!» – pensa muita gente e assim pensam os seus familiares que resolvem ir de Nazaré a Cafarnaum para deterem Jesus e o levarem para casa. É natural que se preocupem com a reputação da família e queiram evitar a vergonha de ter um membro louco a «fazer figuras tristes».

Enquanto os familiares de Jesus não chegam, Marcos intercala a opinião dos escribas de Jerusalém: «Ele tem Belzebu!»; «É pelo príncipe dos demónios que ele expulsa os demónios» e «Tem um espírito maligno». Tentam, desta forma, desacreditar Jesus perante o povo, fazendo crer que Jesus age pela força do demónio e não pela força de Deus. Começa, assim, a acção dos opositores de Jesus no sentido de o destruírem. Esta acusação poderia levar Jesus a ser julgado pelo Sinédrio.

Por meio de «parábolas», Jesus mostra o ridículo desta acusação: Satanás a combater-se a si mesmo. Porém, a acção de Jesus mostra bem que ele tem poder sobre Satanás, isto é, já «amarrou o homem forte» para o poder combater e destruir. Por isso, qualquer pessoa pode reconhecer claramente na acção de Jesus o poder actuante de Deus sobre o mal. A não ser que negue a ver a evidência! Os escribas declararam que a obra de Deus era má e que a acção de Jesus era demoníaca, fechando-se assim à sua ajuda e recusando a salvação que Deus oferece aos homens por meio do seu Filho.

Para quem se recusa a aceitar a evidência de Deus na sua vida, atribuindo ao demónio o que é divino («Tem um espírito maligno»), Deus não tem lugar, isto é, não há espaço para o perdão que Deus oferece, simplesmente porque este perdão é recusado: «Não tem perdão para a eternidade, mas é réu de pecado eterno».

Blasfemar contra o Espírito Santo significa insistir em chamar bem ao que sabemos ser mal e vice-versa. Por outros termos, significa negar o que a consciência reconhece como justo e verdadeiro. Quem persiste em tal atitude não pode ser perdoado, não porque Deus não o queira fazer, mas porque o homem se nega à necessidade e ao desejo de ser perdoado. Deus respeita a liberdade do homem, não obrigando ninguém a acolher os seus dons.

Quando os familiares de Jesus chegam, ficam do lado de fora… Dentro, ao redor de Jesus, há uma multidão de gente… «Quem são minha mãe e meus irmãos?». Parece uma pergunta pouco respeitosa para com os familiares. Porém, Jesus não quer excluir a sua mãe e os seus irmãos (familiares) mas estabelecer um conceito de família que inclua todos os que cumprem a vontade de Deus. Durante a sua vida pública, os seus familiares não creram nele. Após a ressurreição, o seu «irmão» Tiago tornou-se o responsável da comunidade de Jerusalém. Tinha-se criado uma nova relação de familiaridade. A partir de agora, os únicos laços familiares que verdadeiramente são importantes têm que passar forçosamente pela relação com Deus: «Aquele que faz a vontade de Deus, esse é que é meu irmão, minha irmã e minha mãe».

P. Franclim Pacheco

Diocese de Aveiro


 

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