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XVI Domingo do Tempo Comum – Ano B

Breve comentário

            Pela primeira e única vez em todo o evangelho de Marcos, os Doze que tinham sido enviados por Jesus dois a dois e agora regressam são chamados Apóstolos (= enviados). Não tinham ido em nome próprio, mas foram enviados, isto é, levaram a mensagem daquele que os enviou, do qual se tornam testemunhas, realizando também os mesmos gestos de Jesus. Ao regressarem, naturalmente prestam contas a Jesus de quanto fizeram e ensinaram. Agora são convidados a ir para um lugar deserto e descansar.

            Ao longo do evangelho de Marcos, várias vezes Jesus se retira com os discípulos, ou apenas com alguns deles, para lhes falar em particular.

            A intenção de Jesus era boa: é necessário descansar um pouco para retemperar as forças. O grupo dos Doze é apontado como exemplo para todos os que estão ao serviço do Evangelho: nem tinham tempo de comer… Esta tinha sido já uma das razões (3,20) que levaram a família de Jesus à sua procura para o levar para casa. Mas é o próprio Jesus quem quebra o descanso ao ver as multidões que adivinharam o local para onde ele iria. Porque sentiam a ânsia de estar com Jesus, foram seguindo o barco que iria encostar um pouco mais adiante. 

                Marcos apresenta a atitude de Jesus como algo que nasce do interior: sentiu um sentimento de compaixão profundo que é expresso pelo verbo grego splagknízomai (= sentir mover as vísceras) que já o Antigo Testamento usava para falar apenas de Deus.

                Compaixão é o amor entranhado de Deus pelos homens manifestado em Jesus. A compaixão não conhece marginalização alguma, pois o reino de Deus não exclui ninguém da salvação. Compaixão é sentir com o outro, aproximar-se dele, assumir a sua experiência e a sua dor. A compaixão atinge o próprio centro da pessoa, nas próprias vísceras. É assim o agir de Deus, segundo o Antigo Testamento (cf. Is 63,15;Jr 31,20).

            A compaixão é comover-se até às entranhas, solidarizar-se profundamente, sentir a partir de outrem, é sofrer-com. A resposta de Jesus aos ignorantes, aos famintos, aos cegos, aos leprosos, às viúvas e a todos os que chegavam até ele com o seu sofrimento brotou da compaixão divina que levou Deus a tornar-se um de nós. Por causa da sua compaixão pela humanidade Deus escolheu ser um Deus-Connosco, um Emanuel (Mt 1,23). Ele comprometeu-se a viver em solidariedade connosco, a partilhar connosco as alegrias e as dores, a defender-nos e proteger-nos, e a sofrer connosco tudo na nossa vida.

            O povo era como um rebanho sem pastor: aqueles que deviam ser pastores, conforme já denunciava séculos antes o profeta Ezequiel, escribas, fariseus, rabis, chefes do povo, sacerdotes do templo, descuidavam o rebanho.

            O lugar deserto onde se encontravam, ou seja, longe de qualquer povoação,é o espaço para dar o alimento de que aquela gente precisa: o alimento da Palavra (começou a ensinar-lhes muitas coisas) e o alimento do pão que se vai seguir. 

P. Franclim Pacheco


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