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Santa Joana padroeira das JMJ 2023

Patronos da JMJ Lisboa 2023 

Padroeira por excelência da próxima Jornada Mundial da Juventude é a Virgem Maria, a jovem que  aceitou ser mãe do Filho de Deus incarnado. Ela que se levantou e foi apressadamente para a  montanha, ao encontro de sua prima Isabel, levando-lhe Jesus que concebera. Assim ensina os  jovens de todo o tempo e lugar a levaram Jesus aos outros que O esperam, agora como então! 

Patrono é também São João Paulo II, a quem se deve a iniciativa das Jornadas, que têm reunido e  animado milhões de jovens dos cinco continentes. 

Padroeiros e padroeiras são todos os santos e santas que se dedicaram ao serviço da juventude e em  especial São João Bosco, que São João Paulo II declarou “Pai e Mestre da Juventude”. Aos  formadores propôs o seu “sistema preventivo”, de permanente atualidade: «Estai com os jovens,  evitai o pecado pela razão, religião e amabilidade. Tornai-vos santos, educadores de santos. Os  nossos jovens sintam que são amados». 

Contamos também com a proteção de São Vicente, diácono e mártir do século IV, que sendo  padroeiro da diocese a todos acolherá e reforçará com a sua caridade e testemunho evangélico.  

Realizando-se em Lisboa, a Jornada terá o apoio celestial de alguns santos lisboetas, que daqui  partiram para anunciar a Cristo. Como Santo António, nascido por volta de 1190, que mais tarde  seguiria, já franciscano, rumo a Marrocos primeiro e logo de seguida para a Itália, o Sul de França e  de novo Itália, convertendo muita gente ao Evangelho que vivia e pregava. Faleceu em Pádua em  1231 e um ano depois já tinha sido canonizado, tanta era a certeza da sua santidade. O papa Leão XIII  chamou-lhe “o santo do mundo inteiro”. 

Também de Lisboa foi, séculos depois, São Bartolomeu dos Mártires, dominicano e arcebispo de  Braga. Partiu para Trento, tomando parte na última fase (1562-63) do Concílio que ali quis reformar a  Igreja, tornando os pastores mais próximos das ovelhas, como o Evangelho requer e tanto insiste o  Papa Francisco. São Bartolomeu, no Concílio e depois, foi determinante neste sentido e ainda hoje  nos motiva a todos. 

Um século depois, outro jovem lisboeta, São João de Brito, jesuíta, partiu para a Índia, para anunciar  Cristo. Imparável no anúncio e nas viagens difíceis, vestindo e falando de modo a chegar a todos os  grupos e classes, foi martirizado em Oriur, em 1693. 

Acompanham-nos também alguns bem-aventurados (beatificados), lisboetas também. A primeira,  Joana de Portugal, filha do rei Afonso V, que podendo ter sido rainha em vários reinos da Europa  preferiu unir-se a Cristo e à paixão de Cristo, partindo para o claustro aos dezanove anos. Faleceu em  Aveiro, no convento das dominicanas, em 1490. Chamamos-lhe Santa Joana Princesa e impele-nos a  escolhas radicais. 

Em 1570, João Fernandes, jovem jesuíta, foi martirizado ao largo das Canárias, quando se dirigia para  a missão do Brasil. Foi um dos quarenta mártires dessa altura, chefiados pelo Beato Inácio de Azevedo. Tinham partido em resposta ao seu apelo missionário e decerto contribuíram desse modo  no Céu para a missão que não conseguiram realizar na terra.  

Mais tarde, Maria Clara do Menino Jesus, jovem aristocrata nascida nos arredores da capital. Ficou  orfã muito cedo, mas decidiu ser “mãe” dos desamparados. Numa altura em que tal era oficialmente proibido, conseguiu fundar uma congregação religiosa dedicada a essa causa (Franciscanas  Hospitaleiras da Imaculada Conceição). Até falecer, em 1899, ultrapassou todas as oposições,  repetindo: «Onde é preciso fazer o bem, que se faça!»  

A estes jovens lisboetas que “partiram” como a Mãe de Jesus, quer na geografia do mundo quer na  geografia da alma, para levarem Cristo a muitos outros, juntam-se padroeiros de outras origens mas  do mesmo Reino. Como o bem-aventurado Pedro Jorge Frassati, que até falecer em Turim, em 1925,  aos vinte e quatro anos, a todos tocou com o dinamismo, a alegria e a caridade com que vivia o  Evangelho, tanto escalando os Alpes como servindo os pobres. São João Paulo II chamou-lhe “o  Homem das Oito Bem-Aventuranças”.  

Com a mesma juventude e generosidade, contamos com o bem-aventurado Marcel Callo, nascido  em Rennes e falecido no campo de concentração de Mauthausen em 1945. Foi escuteiro e depois  jocista (Juventude Operária Católica) e, quando aos 22 anos foi chamado para o trabalho obrigatório  na Alemanha, para lá partiu, com a firme intenção de continuar o apostolado nessa duríssima  condição. Por isso o levaram depois para o campo de concentração onde viria a morrer.  

Contamos ainda com a proteção de dois jovens bem-aventurados que também “partiram”, mesmo  quando a doença lhes imobilizou o corpo, mas não o coração. Como Cristo pregado na cruz, que daí  mesmo partiu para o Pai e nos salvou a todos com a vida que entregou. Foi com Cristo abandonado  

na cruz que se quis identificar a bem-aventurada Chiara Badano, jovem focolarina, quando aos 16  anos a doença a surpreendeu. Faleceria dois anos depois, em 1990, irradiando sempre uma alegria  luminosa que confirmou o nome de “Luce”, que Chiara Lubich lhe dera. 

No ano seguinte, 1991, nasceu o bem-aventurado Carlo Acutis, que veio a morrer de leucemia em  Monza aos quinze anos. A sua curta vida foi preenchida com grande devoção mariana e eucarística,  que a habilidade com o computador lhe permitiu difundir, mesmo durante a doença. Assim mesmo  fez do seu sofrimento uma oferta e partiu feliz. 

No tempo de cada um, os Patronos da JMJ Lisboa 2023 demonstraram que a vida de Cristo preenche  e salva a juventude de sempre. Com eles contamos, com eles partimos! 

Dom Manuel Clemente 

Cardeal-Patriarca de Lisboa


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